Um homem de 46 anos vai ao pronto-socorro com queixa de dor em cólica de forte intensidade na região lombar direita, com irradiação para flanco e fossa ilíaca direita há 12 horas, levando-o à incapacidade laboral. Ele refere que já apresentou alguns episódios semelhantes, com várias ocorrências de vômitos, e que fez uso de chás caseiros para tratamento. Ele nega disúria e polaciúria. Ao exame físico, apresenta-se em regular estado geral com fácies de dor, sudorese profusa, mucosas desidratadas (1+/4+), temperatura de 36,5°C, frequência cardíaca de 100 batimentos por minuto, pressão arterial de 130 × 80 mmHg, pulmões limpos e bulhas rítmicas e normofonéticas. Ao exame físico do abdome, apresenta dor à palpação de flanco direito e sinal de Giordano positivo à direita. Nos exames complementares, tem-se hemograma sem alterações. Em rotina de urina, constata-se urina turva, ausência de nitritos, presença de leucócitos, 10.000/mL, e presença de hemácias, de 50.000/mL.
Obstrução infectada é emergência; cólica sem febre é inicialmente clínica.
Hematúria apoia litíase, mas sua ausência não exclui cálculo.
Hidrate a desidratação, não force diurese para empurrar a pedra.
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Contexto
Dor lombar intensa em cólica, com irradiação para flanco e fossa ilíaca, inquietação, vômitos e hematúria é o padrão clássico de cólica ureteral por litíase. A dor resulta da obstrução aguda do ureter, com aumento da pressão no sistema coletor, distensão e espasmo ureteral. O sinal de Giordano pode ser positivo, mas não diferencia isoladamente cálculo de pielonefrite.
A ausência de febre, leucocitose, instabilidade e nitrito urinário torna infecção sistêmica improvável. Leucocitúria discreta pode ocorrer por inflamação provocada pelo cálculo e não obriga antibioticoterapia. O exame de imagem de maior acurácia no adulto é a tomografia sem contraste, especialmente no primeiro episódio, em apresentação atípica ou quando é preciso definir tamanho e localização.
As diretrizes da European Association of Urology recomendam anti-inflamatório não esteroidal como primeira escolha para analgesia, se não houver contraindicação. A hidratação deve corrigir a desidratação causada pelos vômitos, mas não se recomenda infusão forçada de grande volume, pois isso não acelera a eliminação e pode intensificar a dor. Febre com obstrução, anúria, lesão renal, rim único ou dor refratária exigem descompressão urológica urgente.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O diagnóstico é compatível com litíase, mas não há sepse, anúria, insuficiência renal ou dor intratável que indiquem cirurgia de urgência.
B) Incorreta. O quadro não apresenta febre, leucocitose ou sintomas urinários infecciosos. Hematúria e dor em cólica favorecem cálculo, e antibiótico sem infecção documentada é inadequado.
C) Correta (gabarito). Trata-se de cólica renal não complicada. A prioridade é analgesia, antiemético e reposição do déficit hídrico, com investigação por imagem e seguimento conforme o tamanho do cálculo.
D) Incorreta. Urocultura pode ser solicitada quando houver suspeita de infecção, mas o diagnóstico principal não é infecção urinária e o paciente precisa de analgesia imediata.