Um escolar de 8 anos é levado à consulta de rotina por sua mãe, que relata estar preocupada com o desenvolvimento de seu filho. Relata ter sido alertada pela escola que o menino tem comportamento bastante impulsivo e indisciplinado, que não demonstra interesse pelas atividades desenvolvidas em sala, que não termina as tarefas propostas e que atrapalha os demais alunos com conversas frequentes ou com brincadeiras. Ela conta que ele é, de forma geral, desatento, agitado e desmotivado. Relata que desde os 4 anos ele tem esse tipo de comportamento e que, em algumas ocasiões, ele reagiu agressivamente — mas nunca em ambiente escolar. À anamnese, percebe-se erro alimentar, com preferência por alimentos açucarados e por carboidratos e, ao exame clínico, apresenta-se na faixa de sobrepeso, segundo a curva de índice de massa corpórea, sem outras anormalidades.
A pegadinha é confundir criança inquieta com criança oposicionista. TDAH é desatenção, hiperatividade e impulsividade com prejuízo em pelo menos dois ambientes.
Escala é ferramenta auxiliar, não exame confirmatório.
Antes de fechar o diagnóstico, procure distúrbios do sono, dificuldades de aprendizagem e transtornos emocionais.
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Contexto
O padrão de desatenção, hiperatividade e impulsividade iniciado na primeira infância, persistente por anos e com prejuízo escolar e familiar sugere transtorno do déficit de atenção e hiperatividade. Pelo DSM-5-TR de 2022, crianças até 16 anos precisam apresentar pelo menos seis sintomas de desatenção e ou seis de hiperatividade e impulsividade por 6 meses, vários deles antes dos 12 anos, em dois ou mais ambientes e com prejuízo funcional.
O diagnóstico é clínico e psicossocial. Devem ser ouvidos responsáveis e escola, avaliados sono, aprendizagem, visão, audição, ansiedade, depressão, epilepsia, uso de substâncias, conflitos familiares e outras condições que imitam ou coexistem com TDAH. Escalas validadas ajudam a organizar informações de diferentes observadores, mas não substituem a entrevista e não confirmam o transtorno isoladamente.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Irritação e impulsividade podem ocorrer em transtorno opositor, mas desatenção persistente, dificuldade de concluir tarefas e hiperatividade não constituem seus critérios centrais.
B) Correta (gabarito). O caso reúne os três domínios típicos do TDAH e exige avaliação clínica e psicossocial completa, apoiada por escalas validadas preenchidas em mais de um contexto.
C) Incorreta. O transtorno opositor-desafiador é marcado por humor irritável, comportamento argumentativo, desafio e atitude vingativa por pelo menos 6 meses. A agressividade ocasional fora da escola não supera o padrão global de TDAH.
D) Incorreta. Dificuldade em aceitar regras e irritação não substituem hiperatividade e impulsividade como domínios diagnósticos. A avaliação inicial pode ser conduzida na atenção primária quando há capacitação, sem obrigatoriedade de avaliação psiquiátrica em todo caso.