Um homem com 47 anos vai à unidade básica de saúde relatando caso de hematêmese e de melena. Ele nega constipação, mas relata episódios de dor abdominal esporádica, com empachamento. O paciente é natural e procedente do interior da Bahia e exerce a profissão de marceneiro. Durante a consulta, relata que toma banho em rios onde habitam caramujos. Ao exame físico, nota-se que o paciente está em regular estado geral, hipocorado (2+/4+) e ictérico (1+/4+).
Esquistossomose mais hematêmese significa forma hepatoesplênica com varizes até prova em contrário.
USG avalia hipertensão portal; EDA identifica e trata a fonte do sangramento.
Praziquantel elimina o parasita, mas não desfaz rapidamente a fibrose portal.
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Contexto
Contato repetido com água doce contendo caramujos em área endêmica aponta para esquistossomose mansônica. Hematêmese e melena sugerem ruptura de varizes esofagogástricas por hipertensão portal da forma hepatoesplênica, causada por fibrose periportal, conhecida como fibrose de Symmers.
A ultrassonografia abdominal avalia espessamento periportal, calibre da veia porta, circulação colateral, esplenomegalia e ascite. A endoscopia digestiva alta identifica varizes, sinais de sangramento e necessidade de tratamento endoscópico. A pesquisa de ovos nas fezes pelo Kato-Katz confirma infecção ativa e estima carga parasitária, embora a sensibilidade possa cair nas formas crônicas de baixa eliminação.
Na presença de sangramento atual ou recente, estabilização hemodinâmica e protocolo de hemorragia varicosa têm prioridade. Praziquantel trata a infecção, mas não reverte imediatamente a hipertensão portal já estabelecida; o paciente precisa de seguimento hepatológico e prevenção de ressangramento.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Endoscopia e exame de fezes são úteis, mas reação intradérmica é método histórico, não diferencia infecção ativa e não avalia a forma hepatoesplênica.
B) Correta (gabarito). Ultrassom avalia a fibrose e a hipertensão portal, endoscopia procura varizes e o exame de fezes busca confirmação parasitológica.
C) Incorreta. Ressonância, biópsia retal e imunofluorescência não são a abordagem inicial mais acessível nem a melhor combinação para sangramento portal.
D) Incorreta. Radiografia, ELISA e PCR não avaliam adequadamente a complicação responsável pela hematêmese e melena.