Transtornos alimentares na adolescência

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 56
INEP · 2024

Durante uma visita domiciliar, o médico de família nota que a filha de 16 anos do casal visitado aparentava ser muito menor do que o vestido que usava. O casal concorda com a observação e afirma que a filha come pouco. A adolescente relata que não apresenta qualquer problema de saúde e que apenas procura se cuidar fazendo musculação e corrida diariamente, além de seguir as dietas que estuda nas redes sociais. A mãe refere que, seguindo a dieta atual, a filha havia perdido 7 kg em 1 mês. A adolescente nega vomitar após as refeições ou quaisquer problemas, exceto o fato de não menstruar há 4 meses, negando também ser sexualmente ativa. Ao exame físico, verificam-se altura de 1,7 metros e peso de 45 kg. Observa-se ainda que o exame físico da adolescente não apresenta alterações, exceto aspecto emagrecido e palidez cutaneomucosa.

Para esse caso clínico, o diagnóstico e o tratamento a serem considerados inicialmente são, respectivamente:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Com 45 kg e 1,70 m, a adolescente tem IMC aproximado de 15,6 kg/m², associado a perda de 7 kg em um mês, restrição alimentar, exercício excessivo, amenorreia e pouca percepção de gravidade. O conjunto é compatível com anorexia nervosa, caracterizada por restrição energética com baixo peso, medo intenso de ganhar peso ou comportamento persistente que impede o ganho e distorção ou pouca consciência da gravidade.

A amenorreia reforça a supressão do eixo hipotálamo-hipófise-ovário por baixa disponibilidade energética, mas não é obrigatória para o diagnóstico. A avaliação inicial deve incluir frequência cardíaca, pressão e ortostatismo, temperatura, ECG, glicemia, eletrólitos, fósforo, magnésio, função renal e hepática e hemograma. Perda rápida e palidez aumentam a preocupação mesmo que o exame pareça pouco alterado.

O tratamento em adolescentes é multiprofissional, com reabilitação nutricional, psicoterapia e participação familiar. A terapia baseada na família é uma das abordagens de primeira linha. Internação é indicada diante de instabilidade hemodinâmica, bradicardia importante, hipotensão, distúrbios eletrolíticos, recusa alimentar grave, risco suicida ou peso extremamente baixo. Bupropiona é contraindicada por aumentar risco de convulsão.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Bulimia exige episódios recorrentes de compulsão seguidos de compensação, geralmente com peso não tão baixo. Bupropiona é contraindicada em transtornos alimentares.

B) Incorreta. Hipertireoidismo causaria sinais como taquicardia, tremor, intolerância ao calor e aumento do apetite. Propiltiuracil não deve ser usado sem diagnóstico hormonal.

C) Correta (gabarito). Restrição, exercício compulsivo, baixo peso, perda rápida e amenorreia apontam para anorexia nervosa, tratada inicialmente com psicoterapia integrada à recuperação nutricional.

D) Incorreta. Transtorno de purgação exige vômitos, laxantes ou outros métodos compensatórios sem compulsão, comportamentos negados no caso. Metoclopramida não trata o transtorno.

Bizu MedBoard
  • Amenorreia não é mais critério obrigatório de anorexia, mas sinaliza baixa disponibilidade energética.

  • Adolescente com perda rápida precisa de avaliação médica antes de ser tratada apenas em psicoterapia ambulatorial.

  • Psicoterapia, família e reabilitação nutricional caminham juntas.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Transtornos alimentares na adolescência” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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