Infecções de vias aéreas superiores

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 88
INEP · 2024

Um lactente com 5 meses é levado à emergência por seus pais com quadro de rinorreia hialina, tosse leve e febre baixa (37,9 oC) de início há 24 horas. Eles relatam que, há algumas horas, o bebê passou a apresentar rouquidão, tosse persistente e ruídos inspiratórios mesmo em repouso. Ao exame físico, constata-se que a criança está agitada, com desconforto respiratório, com tiragem intercostal discreta e com estridor inspiratório. Sua frequência cardíaca é de 110 bpm, sua frequência respiratória é de 42 irpm e sua saturação de O2 é de 96% em ar ambiente. Durante a ausculta, nota-se boa entrada de ar bilateralmente. A expansibilidade torácica está preservada. Observa-se, entretanto, cianose quando a criança fica muito agitada.

Diante dessas informações, a conduta médica adequada é prescrever:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Pródromo viral seguido de rouquidão, tosse característica e estridor inspiratório indica laringotraqueíte viral, ou crupe. Estridor em repouso, agitação, retrações e cianose durante piora classificam o quadro como pelo menos moderado, com risco de progressão da obstrução subglótica.

Todo paciente com crupe recebe corticosteroide, preferencialmente dexametasona em dose única. A via oral é tão eficaz quanto a parenteral quando a criança consegue deglutir; via intramuscular ou intravenosa é utilizada quando há vômitos, desconforto importante ou impossibilidade de uso oral. Estridor em repouso exige adrenalina nebulizada, que produz vasoconstrição e redução rápida do edema.

Após adrenalina, a criança deve permanecer em observação por pelo menos duas a quatro horas, porque o efeito é transitório. Internação é indicada quando persiste estridor em repouso, há necessidade de doses repetidas, hipoxemia, dificuldade alimentar, idade muito baixa ou acesso inseguro ao retorno. Intubação é reservada à falência respiratória, exaustão, alteração do nível de consciência ou redução da entrada de ar.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Agonistas beta-2 atuam em brônquios e não reduzem edema de via aérea superior. Corticoide oral isolado é insuficiente diante de estridor em repouso.

B) Correta (gabarito). Corticoide e adrenalina nebulizada são o tratamento indicado para crupe moderado ou grave. A internação é apropriada pela idade, cianose e estridor em repouso.

C) Incorreta. Intubação imediata não é necessária enquanto há boa entrada de ar e possibilidade de resposta a adrenalina e corticoide. Deve ficar preparada se houver deterioração.

D) Incorreta. Corticoide inalatório e alta sem observação são inadequados em lactente com estridor em repouso e cianose. A dexametasona sistêmica é preferida.

Bizu MedBoard
  • Estridor em repouso significa adrenalina nebulizada mais dexametasona.

  • Salbutamol não trata crupe porque o problema é subglótico, não brônquico.

  • Observe por duas a quatro horas após adrenalina antes de considerar alta.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Infecções de vias aéreas superiores” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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