Um lactente com 3 meses apresenta constipação intestinal desde o seu nascimento, com registro de retardo de eliminação de mecônio de 48h. O paciente foi diagnosticado com aganglionose em todo o sigmoide e aguarda a cirurgia. No dia anterior, apresentou um episódio de diarreia sanguinolenta em grande quantidade, com quadro de febre, distensão abdominal e parada de eliminação de gases e fezes. Chegou ao serviço de emergência em mau estado geral, pálido, hipotenso, sudoreico, taquicárdico, com distensão abdominal importante e temperatura axilar de 38oC. Nesse momento, foram realizadas reposição volêmica, descompressão com uma sonda nasogástrica e retal e foram ministrados antibióticos de amplo espectro para cobertura de organismos aeróbicos e anaeróbicos. A seguir, reproduz-se o resultado do exame de imagem trazido pela mãe do paciente à emergência:

Hirschsprung com febre, distensão e diarreia explosiva é enterocolite e deve ser estabilizado antes da cirurgia definitiva.
A imagem mostra a transição entre reto distal estreito e cólon proximal dilatado.
Abaixamento em um tempo é possível após estabilização; colostomia é reservada a complicação ou falha da descompressão.
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Contexto
A doença de Hirschsprung resulta da ausência de células ganglionares nos plexos entéricos do intestino distal, produzindo segmento espástico e obstrução funcional. A imagem contrastada mostra estreitamento distal com zona de transição e dilatação do cólon proximal, padrão compatível com aganglionose retossigmoide.
Diarreia explosiva ou sanguinolenta, febre, distensão, parada de flatos, choque e toxemia caracterizam enterocolite associada à doença de Hirschsprung, complicação potencialmente fatal. A abordagem imediata foi correta: ressuscitação, antibiótico contra aeróbios e anaeróbios, descompressão gástrica e irrigações retais seriadas.
Depois de controlar sepse e distensão, o tratamento definitivo é ressecar o segmento aganglionar e abaixar cólon ganglionado até o ânus. Em doença curta e criança estabilizada, técnicas de abaixamento endoanal em um tempo podem evitar colostomia. Diversão temporária permanece indicada em perfuração, enterocolite não controlada, desnutrição grave, dilatação extrema ou impossibilidade de irrigação eficaz.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Após resolução da enterocolite e confirmação do nível ganglionar, o abaixamento endoanal em um tempo pode realizar a correção definitiva sem colostomia.
B) Incorreta. Colostomia não é obrigatória em toda criança que respondeu à estabilização. Uma abordagem em estágios é reservada a casos selecionados de maior risco.
C) Incorreta. Colostomia descompressiva pode salvar a criança quando a descompressão clínica falha, mas não remove o segmento aganglionar e, portanto, não é tratamento definitivo.
D) Incorreta. Colostomia definitiva não é necessária na aganglionose sigmoide tratável. O objetivo é restabelecer continuidade intestinal com cólon inervado.