Avaliação de risco e cuidados perioperatórios

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 32
INEP · 2024

Um paciente foi submetido à laparotomia para realização de transplante hepático, com duração de 8 horas de procedimento cirúrgico. No primeiro dia de pós-operatório, ainda em ventilação mecânica, ele apresenta um pico febril de 38 °C.

Considerando esse quadro clínico, o exame complementar que deverá ser solicitado para investigação da etiologia mais prevalente de febre nessas condições é a
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Febre isolada de 38 °C no primeiro dia após cirurgia de oito horas pode decorrer da resposta inflamatória ao trauma operatório, transfusão, medicamentos ou eventos pulmonares. O gabarito tradicional associa pós-operatório imediato, ventilação mecânica e cirurgia prolongada a atelectasia e indica radiografia de tórax para investigá-la.

É necessário explicitar a atualização: revisões publicadas em Chest em 2011 e em Clinical Imaging em 2025 não encontraram suporte para considerar atelectasia simples como causa estabelecida de febre pós-operatória. A febre nas primeiras 48 horas, quando o paciente está estável e sem sinais localizatórios, frequentemente é inflamatória e não exige uma bateria automática de culturas. Ainda assim, em transplantado hepático intubado, a radiografia de tórax é útil para avaliar atelectasia, aspiração, edema, derrame, mau posicionamento de dispositivos e pneumonia, sendo a melhor opção oferecida.

Hemocultura, urocultura e ultrassonografia devem ser orientadas por dados clínicos, como instabilidade, foco suspeito, alterações urinárias, bacteremia, dor abdominal, disfunção do enxerto ou febre persistente. O momento pós-operatório isolado não define infecção.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Ultrassonografia abdominal é indicada diante de alteração do enxerto, coleção, trombose vascular, obstrução biliar ou sinais abdominais. Não é o primeiro exame para pico febril isolado no primeiro dia.

B) Correta (gabarito). A radiografia de tórax é a melhor investigação entre as alternativas no paciente ventilado após cirurgia longa. Ela avalia complicações pulmonares frequentes, embora a justificativa antiga de que atelectasia por si só causa febre não seja sustentada pela evidência atual.

C) Incorreta. Hemoculturas são apropriadas em suspeita de bacteremia, sepse, calafrios importantes, instabilidade ou febre persistente, não obrigatoriamente após um único pico de 38 °C no primeiro dia.

D) Incorreta. Urocultura deve ser guiada por sintomas, piúria ou suspeita de infecção urinária. Bacteriúria relacionada a cateter no primeiro dia é menos provável como causa do episódio isolado.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: mantenha o gabarito radiografia, mas não repita o mito de que atelectasia simples é causa comprovada de febre.

  • Febre nas primeiras 48 horas costuma ser inflamatória; investigue de forma dirigida pela clínica.

  • Em paciente intubado, radiografia também verifica tubo, edema, aspiração, derrame e consolidação.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Avaliação de risco e cuidados perioperatórios” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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