Uma criança com 5 anos é levada pela avó à unidade básica de saúde (UBS) com queixa de muito prurido em área periungueal do hálux direito e na planta do pé direito, além de discreta dor. A avó do paciente refere visitas frequentes da criança ao sítio, onde anda descalça. Ao exame físico, detectam-se quatro lesões puntiformes nos locais das queixas, sendo pápulas ceratóticas com elevação central enegrecida, eritematosa, e duas lesões já pustulosas.
Pápula plantar com ponto negro central em quem anda descalço é tungíase.
Atualização OPAS 2025: dimeticona de baixa viscosidade é preferida quando disponível.
Extração mecânica só deve ser feita com material esterilizado e retirada completa do parasita.
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Contexto
Pápula ceratótica em pé, com halo eritematoso e ponto negro central, após contato descalço com solo rural, é típica de tungíase por Tunga penetrans. A fêmea fecundada penetra a epiderme, mantém a extremidade posterior comunicando-se com o exterior e aumenta de volume enquanto libera ovos. O ponto escuro corresponde à abertura posterior e a resíduos do parasita.
Lesões pustulosas indicam inflamação intensa ou infecção bacteriana secundária. A conduta tradicional para poucas lesões é extração completa com material esterilizado, seguida de limpeza, curativo, avaliação de tétano e tratamento de infecção quando presente. Manipulação doméstica com agulha não esterilizada aumenta risco de abscesso, tétano e outras complicações.
Há atualização importante. As primeiras diretrizes da OPAS de 2025 recomendam dimeticona de baixa viscosidade como tratamento preferencial para casos leves e graves, por matar o parasita sem procedimento traumático. O gabarito C deve ser mantido porque descreve uma opção válida quando há poucas lesões e o produto não está disponível, desde que a remoção seja asséptica e completa.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Larva migrans cutânea forma trajeto serpiginoso, pruriginoso e progressivo, sem pápula fixa com ponto negro central.
B) Incorreta. Eczema disidrótico produz pequenas vesículas profundas e simétricas em palmas ou plantas. Não explica o orifício central nem a exposição ao solo com pulga penetrante.
C) Correta (gabarito). O diagnóstico é tungíase, e poucas lesões podem ser removidas na UBS com técnica estéril, cuidados locais e avaliação de complicações.
D) Incorreta. Verruga plantar apresenta superfície hiperqueratótica com pontos vasculares, mas não a evolução inflamatória típica de bicho-de-pé. Ácido tricloroacético a 80% não é o tratamento dessa parasitose.