Um médico de família e comunidade é chamado para verificar, juntamente com sua equipe de saúde da família, um óbito domiciliar de um homem com 78 anos. O paciente fazia acompanhamento por hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus e síndrome metabólica de difícil controle. Um familiar refere que o paciente acordou cedo, sentiu forte dor precordial, irradiando para o braço esquerdo, ficou pálido e sudoreico e caiu no chão. No domicílio, o médico e sua equipe realizam procedimentos para confirmação do óbito buscando a existência de rigidez cadavérica, realizando avaliação da temperatura corporal e identificando a presença ou não de possível achado de causa externa - possibilidade que é excluída. Após examinar o corpo, inicia-se a fase preenchimento da declaração de óbito (DO). Na seção de condições e causas do óbito constante na DO, há alguns itens a serem preenchidos, quais sejam, causa básica do óbito, causa imediata do óbito e causa contributiva.
A causa imediata fica em cima; a causa básica fica na última linha da cadeia.
Diabetes e hipertensão costumam entrar na Parte II quando contribuíram sem integrar a sequência direta.
Nunca use parada cardiorrespiratória como causa básica.
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Contexto
A questão foi anulada no gabarito definitivo porque o enunciado não fornece comprovação diagnóstica suficiente da cadeia causal e uma das alternativas pode ser interpretada como correta. Na declaração de óbito, a Parte I contém a sequência de doenças que levou diretamente à morte, da causa imediata na linha superior até a causa básica na última linha preenchida. A Parte II registra condições que contribuíram, mas não fizeram parte direta da sequência.
Uma cadeia plausível seria infarto agudo do miocárdio como causa imediata e doença arterial aterosclerótica coronariana como causa básica. Diabetes e hipertensão podem constar como causas contribuintes na Parte II. Síndrome metabólica é fator de risco e não deve substituir uma doença etiológica mais específica quando esta é conhecida.
Contudo, a morte ocorreu em domicílio e o diagnóstico de infarto foi inferido apenas pelos sintomas, sem eletrocardiograma, biomarcadores ou necropsia. O médico deve preencher a melhor causa natural conhecida ou provável com base no acompanhamento e nas circunstâncias, evitando mecanismos vagos como parada cardiorrespiratória.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Síndrome metabólica não explica diretamente a cadeia terminal e seria, no máximo, condição contributiva.
B) Incorreta. Diabetes mellitus pode corretamente ser registrado na Parte II como causa contributiva, o que torna a alternativa defensável e ajuda a explicar a anulação, mas o comando não apresenta uma cadeia completa nem permite afirmar exclusividade.
C) Incorreta. Infarto agudo do miocárdio seria causa imediata ou intermediária, não a doença que iniciou a cadeia aterosclerótica.
D) Incorreta. Doença arterial aterosclerótica é causa básica provável, não causa imediata.