Uma criança com 6 anos é levada à unidade básica de saúde por sua mãe, apresentando quadro de febre, mal-estar, hiporexia, dores no corpo, otalgia, cefaleia, exantema e desidratação há 5 dias. A paciente é procedente de área com casos de dengue. Para tratar sua filha, a mãe administrou, por indicação de uma vizinha, antibiótico via otológica, por 3 dias, sem melhora. Ao exame físico, a paciente encontra-se febril (38,6 oC), hipocorada (+/4) e levemente desidratada, sem outras alterações.
Na dengue, o risco aumenta justamente quando a febre melhora.
Prova do laço positiva muda o paciente para grupo B e indica hemograma.
Otalgia não autoriza antibiótico sem otoscopia.
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Contexto
Criança em área de transmissão, com febre por cinco dias, cefaleia, mialgia, exantema e ausência de foco claro, preenche suspeita clínica de dengue. A prova do laço pesquisa fragilidade capilar e, quando positiva, classifica o paciente no grupo B mesmo sem sangramento espontâneo. Otalgia exige otoscopia para verificar se existe otite e impedir antibiótico empírico sem diagnóstico.
Sem dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramento de mucosa, letargia, hepatomegalia dolorosa, hipotensão ou disfunção orgânica, não há sinal de alarme. A desidratação leve deve ser tratada com hidratação oral, mantendo alimentação. Antitérmico seguro inclui paracetamol ou dipirona; ácido acetilsalicílico e anti-inflamatórios são contraindicados.
O manual Dengue: Diagnóstico e Manejo Clínico, Adulto e Criança, do Ministério da Saúde, publicado em 2024, orienta retorno imediato se surgirem sinais de alarme e reavaliação no dia da melhora da febre, quando pode começar a fase crítica. Se não houver defervescência, o retorno é no quinto dia da doença. Como esta criança já está no quinto dia, precisa de seguimento próximo. A redação da alternativa deve ser entendida nesse sentido, não como cinco dias após a consulta.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Antibiótico não deve ser prescrito sem otoscopia compatível com infecção bacteriana, e hidratação é parte central do manejo.
B) Incorreta. Otoscopia é adequada, mas amoxicilina com clavulanato não é indicada sem diagnóstico de otite. Hemograma depende da classificação de risco.
C) Correta (gabarito). Prova do laço, otoscopia, hidratação oral e retorno na defervescência correspondem ao manejo de dengue sem sinais de alarme, com avaliação simultânea da queixa otológica.
D) Incorreta. Não há indicação de hidratação venosa ou observação por 24 horas em criança estável com desidratação leve e sem sinais de alarme.