Um paciente com 68 anos, submetido a hemicolectomia esquerda por neoplasia com anastomose terminoterminal, sem intercorrências, refere, no quinto dia de pós-operatório, dor leve abdominal. Ao exame físico, apresenta-se hidratado, com temperatura axilar de 38,1°C, frequência cardíaca de 96 bpm, pressão arterial de 100 x 70 mmHg, frequência respiratória de 20 irpm. Abdome distendido 1+/4+, ruídos hidroaéreos presentes, timpanismo generalizado à percussão e levemente doloroso à palpação profunda generalizada. Aparelhos cardiovascular e respiratório sem alterações. Ferida operatória limpa, sem sinais flogísticos.
Febre pós-operatória não deve ser diagnosticada pelo calendário; procure sinais do foco.
Atelectasia isolada não é explicação confiável para febre.
No pós-operatório colorretal, acompanhe tendência de frequência cardíaca, dor, íleo e marcadores de inflamação para suspeitar de complicação intra-abdominal.
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Contexto
A questão foi anulada no gabarito definitivo porque os dados não permitem atribuir a febre a uma única alternativa. No quinto dia após cirurgia colorretal, temperatura de 38,1 °C, dor abdominal leve e distensão discreta exigem avaliação clínica dirigida, mas não demonstram infecção urinária, abscesso subfrênico ou infecção profunda.
O conceito de que atelectasia causa febre pós-operatória é pouco sustentado. Atelectasia pode coexistir com febre nas primeiras 24 a 48 horas, mas exame respiratório normal e início no quinto dia enfraquecem essa hipótese. Nessa fase, é necessário revisar acesso venoso, pulmões, urina, ferida, anastomose, medicamentos, trombose e infecção intra-abdominal.
Após hemicolectomia com anastomose, febre, taquicardia progressiva, dor localizada, íleo persistente, secreção pela ferida ou deterioração clínica levantariam suspeita de deiscência ou coleção. O caso não fornece exames, sintomas urinários, achados pulmonares ou sinais locais suficientes para fechar qualquer foco.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Atelectasia não deve ser presumida como causa de febre apenas pelo dia de pós-operatório, sobretudo com ausculta e respiração normais.
B) Incorreta. Não há disúria, alteração urinária, uso descrito de sonda ou exame de urina que sustente infecção urinária.
C) Incorreta. Abscesso subfrênico costuma produzir febre persistente, dor em hipocôndrio, sintomas respiratórios ou elevação diafragmática, achados ausentes.
D) Incorreta. Infecção profunda ou de órgão e espaço é possível após cirurgia intestinal, mas não pode ser confirmada com febre baixa e distensão inespecífica. A ferida superficial limpa também não exclui nem comprova esse diagnóstico.