Um homem com 40 anos, apresentando queixa de perda constante de interesse e de prazer nas atividades das quais costumava gostar, relata: "não tenho vontade sequer de sair de casa". Afirma que isso vem se mantendo nos últimos 2 meses, de forma constante e diária, mas que piorou no último mês. Conta que seus amigos e familiares também perceberam e vêm cobrando dele uma mudança de atitude. Além disso, diz que tem se sentido mais ansioso e inquieto e que apresentou 2 "crises" súbitas, há um mês, de duração de alguns minutos, em que sentiu medo intenso, taquicardia, sufocação, tontura, sudorese e sensação de que algo ruim iria acontecer e de que iria morrer. Não relaciona as crises a fatores desencadeantes ou a situações pelas quais esteja passando. Relata que, quando teve as crises, foi a um pronto-socorro, onde foram descartadas causas orgânicas para o quadro. Refere também que apresentou perda de peso considerável no último mês, mas não sabe de quanto, tendo percebido apenas por suas roupas. Diz ainda que está sem fome e que tem tido muito sono todos os dias e se sente sempre cansado, está sem concentração e tem dificuldade de pensar. Nega etilismo, tabagismo ou uso de drogas ilícitas, negando também doenças conhecidas. Ao exame físico, o paciente apresenta-se sem alterações, assim como não mostram alterações os exames recentes de hemograma, TSH, T4 livre que ele traz. Ao exame psíquico, apresenta-se colaborativo, atenção preservada, com memória e orientação sem alterações; humor deprimido e ansioso; pensamento de forma, curso e conteúdo sem alterações, assim como juízo e crítica. Não se verificam alterações senso perceptivas, observando-se discreta agitação psicomotora.
Ataque de pânico não é sinônimo de transtorno de pânico.
Depressão maior exige pelo menos cinco sintomas por duas semanas, incluindo humor deprimido ou anedonia.
Antes de prescrever antidepressivo, pesquise suicídio e história de mania ou hipomania.
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Contexto
O núcleo do quadro é um episódio depressivo maior. Pelo DSM-5-TR, são necessários pelo menos cinco sintomas durante duas semanas, com humor deprimido ou perda de interesse e prazer obrigatoriamente entre eles, além de sofrimento ou prejuízo funcional. O paciente apresenta anedonia, humor deprimido, perda de apetite e peso, hipersonia, fadiga, dificuldade de concentração e agitação psicomotora, de forma diária há dois meses.
As crises de medo intenso, com taquicardia, sufocação, tontura, sudorese e sensação de morte, que atingem rapidamente o pico e cessam em minutos, são ataques de pânico. Ataque de pânico é um fenômeno clínico que pode acompanhar vários transtornos. Para diagnosticar transtorno de pânico, seria necessário demonstrar ataques inesperados recorrentes e, após pelo menos um deles, um mês ou mais de preocupação persistente com novas crises ou mudança comportamental desadaptativa. Esses elementos não estão descritos.
A avaliação deve incluir investigação ativa de ideação suicida, risco de autoagressão, sintomas psicóticos e história de mania ou hipomania antes de iniciar antidepressivo. Exames de tireoide e hemograma normais ajudam a afastar causas orgânicas comuns, mas não substituem a avaliação clínica.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Não há agorafobia, esquiva de locais ou medo persistente de não conseguir escapar. Também não foram demonstrados os critérios completos de transtorno de pânico.
B) Incorreta. Transtorno bipolar exige episódio prévio de mania ou hipomania. Um episódio depressivo isolado, sem elevação patológica do humor, redução da necessidade de sono ou aumento de energia, não permite esse diagnóstico.
C) Incorreta. Ansiedade generalizada envolve preocupação excessiva e difícil de controlar em vários domínios durante pelo menos seis meses. As crises paroxísticas e o episódio depressivo predominante não correspondem a esse padrão.
D) Correta (gabarito). O paciente preenche critérios de episódio depressivo maior e apresenta ataques de pânico associados, sem elementos suficientes para classificá-los como transtorno de pânico independente.