Doenças da tireoide

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 24
INEP · 2024

Uma primigesta de 35 anos, com idade gestacional de 12 semanas, comparece a segunda consulta pré-natal no ambulatório de gestação de alto risco. Apresenta diabetes mellitus tipo 1 desde a infância e está adequadamente tratada. Em consulta anterior, queixou-se de fadiga, pele seca, queda de cabelo e obstipação. O médico realizou exame físico no qual notou a tireoide palpável, solicitou a realização de exames laboratoriais, cujos resultados mostraram TSH de 5,0 mcU/L (valor de referência [VR]: 0,3 a 4,0 mcU/L) e T4 livre de 0,6 ng/L (VR: 0,9 a 1,5 ng/L).

Diante desse quadro clínico e do resultado dos exames, além de iniciar o tratamento com levotiroxina, até que se atinja a meta de tratamento o seguimento deve ser feito com dosagem mensal de
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

TSH de 5,0 mUI/L associado a T4 livre abaixo do limite caracteriza hipotireoidismo franco, não apenas subclínico. A gestação aumenta a demanda de tiroxina e, no primeiro trimestre, o feto depende intensamente do hormônio materno. Diabetes tipo 1 aumenta a probabilidade de tireoidite autoimune, o que reforça a coerência do diagnóstico.

Após iniciar levotiroxina, o ajuste é guiado principalmente pelo TSH, com avaliação aproximadamente a cada quatro semanas até a metade da gestação e após mudanças de dose, conforme as recomendações da American Thyroid Association de 2017. O alvo deve usar faixa específica do trimestre e do laboratório; quando ela não está disponível, costuma-se buscar TSH na metade inferior da faixa gestacional ou abaixo de aproximadamente 2,5 mUI/L no início da gravidez. O T4 livre ajuda em situações selecionadas, mas não substitui o TSH como parâmetro rotineiro de titulação no hipotireoidismo primário.

Hipotireoidismo materno não tratado associa-se a abortamento, distúrbios hipertensivos, descolamento placentário, anemia, prematuridade, baixo peso e prejuízo do desenvolvimento neurocognitivo fetal. Entre os desfechos citados nas alternativas, evitar parto prematuro é uma justificativa adequada para controle rigoroso.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. A monitorização pode incluir T4 livre, mas o ajuste principal é pelo TSH. Além disso, feto grande para a idade gestacional é preocupação típica de hiperglicemia materna, não o desfecho discriminador do hipotireoidismo.

B) Incorreta. T3 livre não é exame de escolha para monitorar reposição com levotiroxina. Sua concentração pode permanecer normal apesar de deficiência de T4, e perseguir T3 pode levar a tratamento inadequado.

C) Incorreta. Hipotireoidismo aumenta risco de pré-eclâmpsia, mas dosar apenas T4 livre não é o método padrão para ajustar levotiroxina no hipotireoidismo primário.

D) Correta (gabarito). Dosagens mensais de TSH até atingir a meta permitem ajustar a levotiroxina e reduzem complicações associadas ao controle insuficiente, entre elas prematuridade.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: TSH alto com T4 livre baixo é hipotireoidismo franco e sempre exige tratamento na gestação.

  • Monitore aproximadamente a cada quatro semanas no início da gestação e após qualquer ajuste de dose.

  • T3 não guia reposição de hipotireoidismo primário; a prova costuma cobrar TSH como marcador central.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Doenças da tireoide” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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