Doenças do pericárdio e do miocárdio

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Questão 91
INEP · 2024

Um paciente com 34 anos, em tratamento quimioterápico para linfoma, é avaliado no plantão de um hospital com queixa de dispneia, desconforto torácico, ortopneia, com progressão nas últimas 6 horas. Ao exame físico, apresenta-se em regular estado geral, com frequência cardíaca de 125 bpm, frequência respiratória de 28 irpm, saturação de O2 de 93% em ar ambiente, pressão arterial de 86 x 48 mmHg. Durante a inspiração, observa-se que a pressão sistólica reduziu para 75 x 44 mmHg. A temperatura axilar do paciente é de 36,6oC e ele apresenta grande distensão jugular, bulhas cardíacas hipofonéticas. O exame de ECG no leito indicou baixa voltagem dos complexos QRS, sem presença de alterações isquêmicas detectáveis. Os resultados de outros exames realizados nesse dia são:

Figura da questão 91 da INEP 2024
Figura da questão

Considerando a hipótese diagnóstica mais provável, assinale a opção com as medidas mais adequadas a serem adotadas para esse paciente:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Hipotensão, distensão jugular e bulhas hipofonéticas formam a tríade de Beck. A queda da pressão sistólica de 86 para 75 mmHg durante a inspiração corresponde a pulso paradoxal de 11 mmHg, acima do limite de 10 mmHg. Somados à taquicardia, ortopneia e baixa voltagem do QRS, esses achados indicam tamponamento cardíaco.

No tamponamento, o líquido pericárdico eleva a pressão intrapericárdica e impede enchimento diastólico, reduzindo o volume sistólico e causando choque obstrutivo. Neoplasias e quimioterapia podem produzir derrame pericárdico. A Diretriz ESC 2025 de síndromes inflamatórias miocárdicas e pericárdicas mantém a ecocardiografia como exame imediato para demonstrar derrame e sinais de colapso de câmaras direitas.

Paciente instável precisa de drenagem urgente, preferencialmente pericardiocentese guiada por ecocardiografia. A imagem mostra hemoglobina de 7,3 g/dL, plaquetas de 62.000 e índice de protrombina de 2,2, alterações que aumentam o risco de sangramento. Elas devem ser corrigidas quando possível com hemocomponentes e reversão da coagulopatia, mas não podem atrasar uma drenagem salvadora em choque.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). Ecocardiografia confirma a fisiologia do tamponamento e orienta a pericardiocentese, que trata a causa mecânica da instabilidade.

B) Incorreta. Não há padrão de síndrome coronariana aguda, e trombólise agravaria o derrame hemorrágico e a coagulopatia.

C) Incorreta. Vasopressor pode ser ponte temporária, mas não resolve a compressão cardíaca. Não há febre, leucocitose ou lactato elevado que sustentem sepse como diagnóstico principal.

D) Incorreta. Tromboembolismo pulmonar pode causar choque e turgência jugular, mas não explica bulhas hipofonéticas e baixa voltagem com tríade de Beck. Anticoagulação seria perigosa com plaquetopenia e coagulopatia.

Bizu MedBoard
  • Tríade de Beck mais pulso paradoxal significa tamponamento e drenagem urgente.

  • Ecocardiograma confirma, mas paciente em colapso não deve esperar investigação demorada.

  • Coagulopatia é risco relativo, não motivo para negar pericardiocentese salvadora.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Doenças do pericárdio e do miocárdio” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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