Doença inflamatória pélvica

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 44
INEP · 2024

Mulher com 21 anos chega a uma unidade de pronto atendimento relatando dor pélvica há 2 dias, que se intensificou nas últimas 8 horas, após relação sexual. Queixa-se de sangramento vaginal após a relação, evidenciado na consulta. Refere que a última menstruação havia ocorrido há 5 dias, com ciclos anteriores regulares. Ao exame físico, encontrava-se febril (temperatura axilar: 38,7 °C), com sinais de defesa abdominal, e demonstrou que o exame ginecológico foi extremamente doloroso, quando houve mobilização dos anexos e do colo uterino, que apresentava ectocérvice friável e sangrante. A paciente refere dados normais de exames ginecológico e ecográfico realizados há 90 dias.

Considerando-se essa história clínica, qual é o diagnóstico mais provável?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Dor pélvica, febre, defesa abdominal, dor intensa à mobilização do colo e dos anexos e colo friável com sangramento caracterizam doença inflamatória pélvica. O processo geralmente começa por cervicite por Chlamydia trachomatis ou Neisseria gonorrhoeae e ascende ao endométrio, tubas e peritônio, com participação frequente de flora polimicrobiana.

O diagnóstico é predominantemente clínico e o tratamento deve começar com baixo limiar. Os critérios mínimos são dor uterina, anexial ou à mobilização cervical em mulher sexualmente ativa sem outra causa mais provável. Febre acima de 38,3 °C, secreção cervical anormal, friabilidade, leucócitos na secreção, PCR ou VHS elevados e teste positivo para gonococo ou clamídia aumentam a especificidade.

Teste de gravidez continua obrigatório, mesmo com menstruação recente, porque sangramento não exclui gestação ectópica. Defesa abdominal, febre alta e dor muito intensa justificam ultrassonografia e avaliação para internação, abscesso tubo-ovariano ou diagnóstico cirúrgico alternativo. O atraso terapêutico aumenta risco de infertilidade tubária, gravidez ectópica e dor pélvica crônica.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Gestação ectópica rota pode causar dor e sangramento, mas não explica bem febre, cervicite friável e dor bilateral à mobilização. Deve ser excluída com beta-hCG, não assumida como diagnóstico principal.

B) Correta (gabarito). A associação de cervicite, febre e dor à mobilização do colo e anexos corresponde aos critérios clínicos de doença inflamatória pélvica.

C) Incorreta. Torção anexial causa dor súbita, geralmente unilateral, com náuseas e vômitos. Febre e cervicite não são achados iniciais típicos.

D) Incorreta. Rotura de cisto hemorrágico pode surgir após relação sexual e produzir dor aguda, mas não costuma causar febre alta, colo friável e dor cervical marcante.

Bizu MedBoard
  • Dor à mobilização do colo é o sinal clássico que a banca usa para DIP.

  • O diagnóstico é clínico e o antibiótico não deve esperar todos os exames.

  • Mesmo com sangramento recente, faça teste de gravidez para excluir ectópica.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Doença inflamatória pélvica” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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