Icterícia neonatal

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 73
INEP · 2024

Na maternidade, um recém-nascido (RN) de 30 horas de vida, evolui com icterícia zona 3 de Kramer. Nasceu com 36 semanas de idade gestacional (IG), de parto vaginal, tendo algumas equimoses durante o parto. A tipagem sanguínea da mãe é O- e do RN é B+. Os exames laboratoriais, realizados quando a criança estava com 32 horas de vida, revelam os valores abaixo. 


O pediatra, ao ver esses resultados, iniciou fototerapia de alta intensidade e transferiu o paciente para unidade de cuidados neonatais. Após 4 horas de fototerapia (com 36 horas de vida) obteve-se os dados abaixo.


Figura da questão 73 da INEP 2024
Figura da questão

Considerando-se o caso e a tabela de referência apresentados, a conduta médica adequada é
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O recém-nascido de 36 semanas tem doença hemolítica imune: mãe O negativo, criança B positivo, antígeno D positivo e Coombs direto positivo. A bilirrubina total aumentou de 13 para 15 mg/dL em 4 horas, velocidade de 0,5 mg/dL por hora, apesar de fototerapia intensiva. Pela tabela fornecida, o limiar de exsanguineotransfusão para 35 a 37 semanas às 36 horas é 16 mg/dL; o valor atual está apenas 1 mg/dL abaixo e continua subindo rapidamente.

A diretriz da American Academy of Pediatrics de 2022 define escalada de cuidados quando a bilirrubina chega a 2 mg/dL abaixo do limiar de troca, com fototerapia intensiva, hidratação, dosagens seriadas e preparação para exsanguineotransfusão. A troca é imediata quando o limiar é alcançado ou há sinais de encefalopatia bilirrubínica. O gabarito C segue a referência histórica da prova, que considera a hemólise imune com ascensão acelerada e falha da fototerapia como indicação de exsanguineotransfusão antes de nova ultrapassagem.

A escolha do hemocomponente deve ser feita com o serviço de hemoterapia, compatível com o soro materno e com o recém-nascido, negativo para o antígeno implicado e adequadamente preparado. A expressão sangue B negativo da alternativa simplifica uma decisão transfusional que, em muitos protocolos, utiliza concentrado O Rh negativo reconstituído com plasma compatível.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Imunoglobulina intravenosa pode ser considerada em hemólise isoimune quando a bilirrubina ultrapassa o limiar de escalada e continua subindo, mas não permite contraindicar exsanguineotransfusão diante de progressão para nível crítico.

B) Incorreta. Intensificar fototerapia e repetir bilirrubina fazem parte da escalada, porém são insuficientes como única conduta no raciocínio da prova diante de subida de 0,5 mg/dL por hora e proximidade extrema do limiar de troca.

C) Correta (gabarito). A questão considera indicada a exsanguineotransfusão por hemólise imune com elevação rápida sob fototerapia. O hemocomponente deve ser selecionado e compatibilizado pelo banco de sangue, apesar da simplificação da alternativa.

D) Incorreta. A velocidade de 0,5 mg/dL por hora é sinal de hemólise acelerada e falha terapêutica, portanto aumenta, e não reduz, a preocupação com necessidade de troca.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é olhar apenas o valor absoluto. Velocidade de elevação e hemólise modificam a urgência.

  • Pela AAP 2022, 2 mg/dL abaixo do limiar de troca já é zona de escalada de cuidados.

  • Imunoglobulina é adjuvante selecionado; não substitui troca quando o limiar é atingido ou há encefalopatia.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Icterícia neonatal” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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