Um bebê de 2 meses é levado por sua mãe ao pronto atendimento do hospital de referência da região. Ela apresenta queixa de que seu filho não está movendo as pernas e de que chora muito durante as trocas de fralda. A mãe nega que ele tenha sofrido traumas, violência ou que tenha tido febre. O lactente nasceu com 36 semanas, em parto domiciliar sem intercorrências. A gestação transcorreu sem acompanhamento pré-natal. Também não foi realizado teste do pezinho (triagem neonatal). Ao exame físico, nota-se: lactente choroso, hipocorado, ictérico, sem lesões cutâneas. Ao exame ocular, constata-se reflexo vermelho translúcido e simétrico. Os exames dos aparelhos respiratório e cardiovascular apresentam-se sem alterações. Seu abdome está globoso, com fígado palpável a 3,5 cm do rebordo costal direito. Com relação ao desenvolvimento neuropsicomotor, nota-se que o paciente observa o rosto do médico durante o exame, eleva a cabeça em prono, não abre as mãos, não sorri quando estimulado e reage ao som, mas não os emite. A seguir, pode-se observar o resultado da radiografia dos membros inferiores, realizada após esse atendimento inicial:

Pseudoparalisia dolorosa de Parrot é manifestação óssea da sífilis congênita.
A imagem mostra osteocondrite metafisária e periostite bilateral.
Criança sintomática recebe penicilina cristalina por 10 dias sem esperar conclusão de todos os exames.
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Contexto
Lactente sem pré-natal, com icterícia, hepatomegalia, anemia e dor intensa à mobilização das pernas apresenta quadro compatível com sífilis congênita sintomática. A incapacidade aparente de mover os membros por dor é a pseudoparalisia de Parrot, causada por osteocondrite e periostite sifilíticas.
A radiografia mostra alterações metafisárias bilaterais, com irregularidade e rarefação nas extremidades dos ossos longos, além de reação periosteal, achados típicos da doença. Sífilis congênita também pode causar rinite serossanguinolenta, lesões cutâneas, hepatoesplenomegalia, trombocitopenia e alterações neurológicas.
A investigação inclui teste não treponêmico quantitativo no sangue periférico, comparação com o título materno quando disponível, hemograma, enzimas hepáticas, radiografias de ossos longos, avaliação do líquido cefalorraquidiano, audição e visão. Como a criança é sintomática, deve receber penicilina G cristalina 50.000 UI/kg por dose por via intravenosa, com intervalo ajustado à idade, durante 10 dias. O tratamento não deve esperar toda a propedêutica.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Hepatite neonatal explica icterícia e hepatomegalia, mas não a pseudoparalisia dolorosa nem as lesões metafisárias e periosteais.
B) Correta (gabarito). O conjunto clínico-radiológico é de sífilis congênita e exige sorologia e penicilina cristalina imediata.
C) Incorreta. Violência deve ser considerada quando a história e as lesões são incompatíveis, mas a simetria radiológica e os sinais sistêmicos favorecem infecção congênita.
D) Incorreta. Hipotireoidismo pode atrasar desenvolvimento, porém não produz periostite dolorosa, anemia e hepatomegalia nesse padrão.