Infecções sexualmente transmissíveis

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 38
INEP · 2024

Um bebê de 2 meses é levado por sua mãe ao pronto atendimento do hospital de referência da região. Ela apresenta queixa de que seu filho não está movendo as pernas e de que chora muito durante as trocas de fralda. A mãe nega que ele tenha sofrido traumas, violência ou que tenha tido febre. O lactente nasceu com 36 semanas, em parto domiciliar sem intercorrências. A gestação transcorreu sem acompanhamento pré-natal. Também não foi realizado teste do pezinho (triagem neonatal). Ao exame físico, nota-se: lactente choroso, hipocorado, ictérico, sem lesões cutâneas. Ao exame ocular, constata-se reflexo vermelho translúcido e simétrico. Os exames dos aparelhos respiratório e cardiovascular apresentam-se sem alterações. Seu abdome está globoso, com fígado palpável a 3,5 cm do rebordo costal direito. Com relação ao desenvolvimento neuropsicomotor, nota-se que o paciente observa o rosto do médico durante o exame, eleva a cabeça em prono, não abre as mãos, não sorri quando estimulado e reage ao som, mas não os emite. A seguir, pode-se observar o resultado da radiografia dos membros inferiores, realizada após esse atendimento inicial:

Figura da questão 38 da INEP 2024
Figura da questão

Considerando se o caso clínico e a propedêutica disponível, quais são, respectivamente, o provável diagnóstico e a conduta médica mais adequada nessa situação?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Lactente sem pré-natal, com icterícia, hepatomegalia, anemia e dor intensa à mobilização das pernas apresenta quadro compatível com sífilis congênita sintomática. A incapacidade aparente de mover os membros por dor é a pseudoparalisia de Parrot, causada por osteocondrite e periostite sifilíticas.

A radiografia mostra alterações metafisárias bilaterais, com irregularidade e rarefação nas extremidades dos ossos longos, além de reação periosteal, achados típicos da doença. Sífilis congênita também pode causar rinite serossanguinolenta, lesões cutâneas, hepatoesplenomegalia, trombocitopenia e alterações neurológicas.

A investigação inclui teste não treponêmico quantitativo no sangue periférico, comparação com o título materno quando disponível, hemograma, enzimas hepáticas, radiografias de ossos longos, avaliação do líquido cefalorraquidiano, audição e visão. Como a criança é sintomática, deve receber penicilina G cristalina 50.000 UI/kg por dose por via intravenosa, com intervalo ajustado à idade, durante 10 dias. O tratamento não deve esperar toda a propedêutica.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Hepatite neonatal explica icterícia e hepatomegalia, mas não a pseudoparalisia dolorosa nem as lesões metafisárias e periosteais.

B) Correta (gabarito). O conjunto clínico-radiológico é de sífilis congênita e exige sorologia e penicilina cristalina imediata.

C) Incorreta. Violência deve ser considerada quando a história e as lesões são incompatíveis, mas a simetria radiológica e os sinais sistêmicos favorecem infecção congênita.

D) Incorreta. Hipotireoidismo pode atrasar desenvolvimento, porém não produz periostite dolorosa, anemia e hepatomegalia nesse padrão.

Bizu MedBoard
  • Pseudoparalisia dolorosa de Parrot é manifestação óssea da sífilis congênita.

  • A imagem mostra osteocondrite metafisária e periostite bilateral.

  • Criança sintomática recebe penicilina cristalina por 10 dias sem esperar conclusão de todos os exames.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Infecções sexualmente transmissíveis” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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