Um homem com 26 anos é levado por amigos para o pronto-socorro devido a palpitações, tonturas e mal-estar. Relata que a sintomatologia iniciou abruptamente há 2 horas. Os amigos contam que estavam com ele em uma festa e confirmam consumo de bebida alcoólica, mas negam consumo de drogas ilícitas. O paciente nega episódios prévios ou comorbidades. Ao exame físico, apresenta-se com pulso irregular, com frequência cardíaca em torno de 123 bpm. A pressão arterial é de 118 x 68 mmHg e, à ausculta cardíaca, não apresenta sopros, mas verifica-se ritmo irregular, não se constatando outras alterações nesse exame. O eletrocardiograma mostra linha de base serrilhada, presença de onda F, intervalo RR irregular e frequência de 125 bpm.
Flutter instável recebe cardioversão sincronizada; flutter estável pode receber controle de frequência.
RR irregular não exclui flutter quando o bloqueio atrioventricular é variável.
Álcool em excesso pode precipitar arritmia mesmo em coração previamente saudável.
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Contexto
Ondas F em serrilha, ausência de linha isoelétrica e frequência atrial rápida caracterizam flutter atrial. O intervalo RR pode ser irregular quando há bloqueio atrioventricular variável. A ingestão aguda de grande quantidade de álcool pode precipitar arritmias supraventriculares, fenômeno conhecido como coração de feriado.
O paciente está hemodinamicamente estável, com pressão preservada e sem dor isquêmica, edema pulmonar ou alteração de consciência. A abordagem inicial inclui monitorização, eletrólitos, função tireoidiana e controle da resposta ventricular com betabloqueador ou bloqueador de canal de cálcio não diidropiridínico, quando não houver contraindicação. A Diretriz ESC de 2024 inclui controle de frequência e ritmo na redução dos sintomas de fibrilação e flutter atriais.
Como o início ocorreu há apenas duas horas, cardioversão sincronizada também pode ser considerada para restauração do ritmo, especialmente se os sintomas persistirem. A necessidade de anticoagulação é avaliada conforme duração da arritmia, estratégia de cardioversão e risco tromboembólico. Desfibrilação não sincronizada é reservada a fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Betabloqueador reduz a condução pelo nó atrioventricular e controla a frequência ventricular no flutter estável.
B) Incorreta. Desfibrilação ventricular é choque não sincronizado para arritmias sem pulso. Se o flutter se tornasse instável, seria realizada cardioversão sincronizada.
C) Incorreta. Massagem do seio carotídeo pode aumentar transitoriamente o bloqueio atrioventricular e revelar ondas F, mas raramente encerra o flutter e não é o tratamento definitivo.
D) Incorreta. Lidocaína atua principalmente em arritmias ventriculares e não controla flutter atrial.