Gestante de 25 anos é atendida em uma maternidade no primeiro estágio da fase ativa de trabalho de parto. Seu pré-natal foi de risco habitual e ela está com 40 semanas de gestação. Durante a ausculta intermitente, é detectada uma frequência cardíaca fetal mantida de 100 bpm. Diante disso, é realizada cardiotocografia, que mostra parâmetros normais, exceto a linha de base em torno de 102 bpm por um período de 10 minutos. A paciente não apresenta outros sinais ou sintomas de complicações, e o restante do exame físico está dentro dos parâmetros esperados para a fase ativa do trabalho de parto.
FCF de 100 a 109 bpm com variabilidade normal e sem desacelerações não significa cesariana automática.
Primeiro confirme que o sinal é fetal, mude a posição, avalie pressão e contrações e reavalie o traçado.
O que mudou nas diretrizes: oxigênio materno rotineiro não é recomendado quando a saturação está normal.
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Contexto
Linha de base é a média da frequência cardíaca fetal avaliada em um segmento de 10 minutos, excluindo acelerações e desacelerações. O intervalo habitual é 110 a 160 bpm. Uma linha de base de 102 bpm por 10 minutos representa bradicardia fetal leve, mas seu significado depende dos demais componentes do traçado.
A diretriz NICE de monitorização fetal intraparto, atualizada em 2022, classifica 100 a 109 bpm como característica de alerta, mas permite manter o cuidado usual quando a linha está estável, a variabilidade é normal e não há desacelerações variáveis ou tardias. Portanto, esse achado isolado não define sofrimento fetal agudo nem indicação de cesariana. A resposta inicial é verificar se o sinal é realmente fetal, avaliar pulso materno, posição, pressão arterial, contrações e medicamentos, mudar a posição materna e repetir a avaliação.
O gabarito inclui administração de oxigênio. Essa era uma medida tradicional de “reanimação intrauterina”, mas recomendações atuais do NICE e do American College of Obstetricians and Gynecologists desaconselham oxigênio rotineiro quando a saturação materna é normal, pois não melhora desfechos e pode ser prejudicial. Assim, mantém-se D por ser a única opção com reposicionamento e reavaliação, mas o oxigênio só deve ser administrado se houver hipoxemia materna ou outra indicação clínica.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Uma linha de base de 102 bpm isolada, com variabilidade e demais parâmetros normais, não estabelece acidemia fetal nem sofrimento agudo que exija cesariana imediata.
B) Incorreta. Ocitocina aumenta a atividade uterina e pode reduzir o intervalo de reperfusão placentária. Não é tratamento de bradicardia e pode piorar o traçado se provocar taquissistolia.
C) Incorreta. Tocolítico é reservado para taquissistolia ou hiperestimulação uterina associada a alteração fetal. O caso não descreve excesso de contrações.
D) Correta (gabarito). Reposicionar e reavaliar é a estratégia apropriada diante de alteração leve isolada, antes de indicar parto operatório. A ressalva atual é que oxigênio não deve ser dado rotineiramente a uma gestante normoxêmica.