Menino de 6 anos é levado para consulta por seus pais, por estarem preocupados com seu ganho de peso. Notaram escurecimento da pele da criança em região de pescoço e axilas, pensando que isso pode ser algum problema grave. O menino apresenta índice de massa corporal (IMC) entre +2 e +3 no escore Z e uma relação circunferência abdominal / estatura de 0,9. Ao exame físico, apresenta manchas escurecidas e aveludadas em região de pescoço e axilas.
Dos 5 aos 10 anos, IMC acima de Z +2 até +3 é obesidade.
Acantose nigricans em dobras sugere resistência insulínica, mas não equivale a diabetes.
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Contexto
Para crianças de 5 a 10 anos, IMC por idade acima de Z +2 e até Z +3 corresponde a obesidade; acima de Z +3, obesidade grave. A relação cintura por estatura de 0,9 é muito elevada e indica adiposidade central importante, embora não substitua a classificação pelo IMC por idade.
As placas hiperpigmentadas, espessadas e aveludadas em pescoço e axilas são acantose nigricans. Em criança com obesidade, funcionam como marcador clínico de hiperinsulinemia e resistência insulínica. Não confirmam diabetes isoladamente, mas justificam pressão arterial, perfil lipídico, avaliação glicêmica e função hepática conforme idade, risco e protocolo.
A primeira linha é intervenção familiar e longitudinal: reduzir bebidas açucaradas e ultraprocessados, organizar refeições, melhorar sono, diminuir sedentarismo e aumentar atividade física lúdica. Medicamento hipoglicemiante não deve ser iniciado apenas pela acantose, sem diagnóstico metabólico e indicação específica.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O escore não representa apenas risco de sobrepeso, mas obesidade. Acantose isolada não autoriza iniciar hipoglicemiante oral.
B) Incorreta. A criança não é eutrófica, e a lesão não é acrodermatite. O conjunto é metabólico, não uma dermatoses isolada que exija apenas dermatologista.
C) Correta (gabarito). Classifica corretamente obesidade e acantose nigricans e propõe mudança alimentar e prática regular de atividade física, base do tratamento inicial.
D) Incorreta. O diagnóstico nutricional e dermatológico está errado. Encaminhamento à endocrinologia é reservado a obesidade grave, suspeita de causa secundária, complicações ou falha do cuidado estruturado na atenção primária.