Pais de um menino de 10 anos levam a criança para avaliação médica em Unidade Básica de Saúde (UBS). Relatam que seu filho se dá bem com a família até que não lhe seja permitido fazer algo que deseja. Quando isso ocorre, ele fica irritado, impulsivamente agressivo e agitado por várias horas. Assim que se acalma ou consegue o que quer, fica feliz e agradável novamente. Os pais entendem que o filho parece agir deliberadamente para aborrecer os outros e nunca assume a culpa por seus próprios erros ou mau comportamento. Relatam ainda que ele discute com adultos ou figuras de autoridade e em várias situações não aceita as regras de boa convivência com os familiares.
Pegadinha central: TOD volta ao basal entre conflitos; desregulação disruptiva mantém irritabilidade crônica entre as explosões.
TOD exige padrão persistente por pelo menos 6 meses, não uma fase isolada de mau comportamento.
Bipolaridade pediátrica exige episódios de mania ou hipomania, não apenas irritabilidade reativa.
TDAH pode coexistir com TOD, mas desatenção e hiperatividade precisam estar demonstradas para diagnosticá-lo.
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Contexto
O núcleo do caso é um padrão de comportamento argumentativo, desafiante e hostil diante de limites e figuras de autoridade: discute com adultos, recusa regras, irrita-se quando contrariado, age para incomodar e atribui a culpa dos próprios erros a terceiros. Esse conjunto é típico de transtorno de oposição desafiante.
Segundo o DSM-5-TR da American Psychiatric Association, publicado em 2022 e posteriormente atualizado em seu texto, o transtorno de oposição desafiante exige padrão de humor irritável ou raivoso, comportamento argumentativo ou desafiante e/ou atitude vingativa por pelo menos 6 meses, com pelo menos quatro sintomas e interação com pelo menos uma pessoa que não seja irmão. Em crianças com 5 anos ou mais, a frequência esperada para vários sintomas é de pelo menos uma vez por semana, embora gravidade, contexto e nível de desenvolvimento também devam ser considerados.
O detalhe que afasta desregulação disruptiva do humor é que o menino, depois da crise ou após conseguir o que quer, volta a ficar feliz e agradável. No transtorno disruptivo da desregulação do humor, a irritabilidade é persistente entre as explosões, na maior parte do dia e quase todos os dias.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Transtorno bipolar não é definido por explosões reativas de algumas horas ao ser contrariado. É preciso episódio de mania ou hipomania com mudança persistente do humor e da energia, acompanhado de sintomas como redução da necessidade de sono, grandiosidade, aceleração do pensamento e aumento de atividade dirigida a objetivos.
B) Correta (gabarito). O caso descreve os elementos prototípicos de transtorno de oposição desafiante: comportamento argumentativo, recusa de regras, irritabilidade, provocação e tendência a responsabilizar os outros. A confirmação clínica formal ainda exige verificar duração, frequência, prejuízo e contextos.
C) Incorreta. Na desregulação disruptiva do humor, as explosões devem ser recorrentes e desproporcionais, mas o principal discriminador é humor irritável ou raivoso persistente entre as crises. O retorno a humor agradável após o episódio vai contra esse padrão.
D) Incorreta. Impulsividade pode ocorrer no TDAH, mas o diagnóstico exige padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade com repercussão funcional em diferentes ambientes. O enunciado enfatiza oposição a limites e autoridade, não o núcleo do TDAH.