Comunicação e relação médico-paciente

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 95
INEP · 2025

Durante uma roda de conversa em uma sala de espera com mães que aguardavam a consulta de seus filhos com um médico de família e comunidade, uma enfermeira da equipe de saúde da família propôs a discussão do tema da hesitação vacinal. Durante o diálogo, uma das participantes afirmou que "a culpa de tudo isso é da Internet".

Considerando essa situação, assinale a alternativa correta, acerca dos argumentos a serem utilizados pela enfermeira nessa conversa com a comunidade.
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O Ministério da Saúde define hesitação vacinal como atraso ou recusa de vacinas recomendadas apesar de sua disponibilidade. É um fenômeno complexo, variável por vacina, território e momento histórico. Confiança, conveniência, percepção de risco, valores coletivos e acesso interagem, portanto não se restringe a uma classe social.

A internet facilita acesso a informação correta, mas também amplia conteúdos falsos ou enganosos sobre segurança e eficácia. Algoritmos podem reforçar exposição seletiva, formar comunidades de crenças semelhantes e conectar narrativas antivacinação a identidades políticas, religiosas, parentais ou morais, tornando a correção factual isolada menos eficaz.

A comunicação deve ouvir dúvidas sem ridicularização, reconhecer incertezas reais, explicar riscos comparativos, usar fontes confiáveis e recomendar a vacinação de forma clara. O fato de doenças terem se tornado raras graças às vacinas pode reduzir a percepção de ameaça e aumentar o peso atribuído a eventos adversos, fenômeno conhecido como paradoxo da prevenção.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). Descreve mecanismos reais pelos quais redes digitais reduzem confiança: difusão de dúvidas sobre segurança e eficácia, bolhas informacionais e associação com outros valores identitários.

B) Incorreta. Hesitação ocorre em diferentes níveis de renda e escolaridade, por motivos variados. Não pode ser atribuída uniformemente a pessoas pobres ou a oposição à medicalização.

C) Incorreta. Não existe política de suspender vacinas temporariamente para gerar engajamento futuro. A complexidade do calendário deve ser enfrentada com acesso facilitado e comunicação.

D) Incorreta. Desinformação pode afetar qualquer grupo social. Menor renda não garante maior confiança nem proteção contra redes sociais e aplicativos de mensagens.

Bizu MedBoard
  • Internet é amplificadora, mas hesitação vacinal é multifatorial e não pertence a uma classe social específica.

  • Algoritmos reforçam exposição seletiva e identidade de grupo, não apenas falta de conhecimento.

  • Escute, responda com transparência e faça recomendação vacinal clara.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Comunicação e relação médico-paciente” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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