Homem de 45 anos, trabalhador da construção civil, comparece a uma unidade básica de saúde (UBS) devido à dor lombar iniciada há um mês, com piora progressiva, irradiada para o membro inferior direito, com maior intensidade ao final do expediente de trabalho, especialmente após carregar materiais pesados. Nega histórico de trauma, febre, perda de peso ou outros sintomas sistêmicos. Ao exame físico, há dor à palpação de musculatura paravertebral bilateral na região lombar, sem alterações neurológicas. Não há restrição de movimentos e a flexão está preservada. O exame de força e sensibilidade nos membros inferiores está normal, e os reflexos patelar e aquileu estão preservados. Lasègue negativo bilateralmente.
Lombalgia sem red flags e sem déficit neurológico não precisa de imagem inicial, mesmo com irradiação.
Oriente movimento e exercício; repouso prolongado piora incapacidade.
Ressonância é reservada a déficit progressivo, suspeita de causa grave ou persistência quando o resultado mudará a conduta.
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Contexto
O paciente tem lombalgia mecânica subaguda relacionada a sobrecarga, sem febre, perda de peso, trauma relevante, câncer, imunossupressão, déficit neurológico, alteração esfincteriana ou síndrome da cauda equina. Irradiação isolada para a perna não obriga diagnóstico de radiculopatia, especialmente com força, sensibilidade e reflexos normais e Lasègue negativo.
Diretrizes de dor lombar e a recomendação da Organização Mundial da Saúde de 2023 desencorajam imagem rotineira na ausência de sinais de alerta, pois radiografia e ressonância identificam alterações degenerativas comuns que podem não ser a causa da dor e não melhoram desfechos. Imagem é indicada quando há suspeita de doença grave, déficit progressivo ou sintomas persistentes após tratamento conservador quando o resultado mudará a conduta.
O tratamento deve manter atividade e retorno progressivo ao trabalho, evitar repouso no leito e incluir exercício. Anti-inflamatório não esteroide pode ser usado no menor tempo e dose eficaz, após avaliar risco renal, gastrointestinal e cardiovascular. Relaxante muscular pode ser considerado por curto prazo, com alerta de sedação. Corticoide sistêmico não é tratamento rotineiro para lombalgia mecânica sem déficit.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Irradiação sem déficit, Lasègue positivo ou sinal de alerta não justifica ressonância imediata. Associar dois analgésicos pode ser avaliado, mas não corrige a indicação excessiva de imagem.
B) Incorreta. Um mês de dor mecânica sem sinais de gravidade não exige radiografia. Corticoide sistêmico não tem indicação rotineira e expõe a efeitos adversos.
C) Incorreta. Não solicitar exame está correto, mas repouso por cinco dias atrasa recuperação, e corticoide sistêmico não é recomendado.
D) Correta (gabarito). A ausência de sinais de alerta permite manejo clínico, com manutenção de atividade, exercício e analgesia de curto prazo. Relaxante muscular pode ser usado seletivamente.