Homem de 61 anos comparece à consulta com queixa de lesão no pênis há 3 meses, a qual se desenvolveu após episódio de eritema, prurido e fissura local, sem melhora após o uso de antibiótico por 30 dias. Como antecedentes pessoais, relata ter feito tratamento de HPV há 2 anos. Ao exame físico do pênis, odor fétido à retração prepucial, com má higienização local; lesão com aspecto verrucoso na glande; presença de linfonodos inguinais bilaterais à palpação, indolores, arredondados e imóveis.
Pegadinha central: lesão peniana crônica verrucosa ou ulcerada que não responde a tratamento empírico precisa de biópsia.
Carcinoma espinocelular é o tipo histológico mais comum do câncer de pênis.
HPV, fimose, inflamação crônica e higiene precária aumentam risco.
Linfonodo inguinal palpável pode ser inflamatório ou metastático e faz parte do estadiamento.
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Contexto
Lesão verrucosa persistente na glande por 3 meses, sem resposta a antibiótico, em homem de 61 anos, com higiene precária, antecedente de HPV e linfonodos inguinais palpáveis deve ser encarada como suspeita de câncer de pênis até confirmação diagnóstica. O tipo histológico predominante é carcinoma espinocelular.
Infecção por HPV, fimose, inflamação crônica e higiene genital inadequada são fatores associados. O aspecto pode ser verrucoso, ulcerado ou infiltrativo, e odor fétido pode ocorrer em lesões avançadas ou infectadas secundariamente.
As diretrizes atuais da European Association of Urology recomendam biópsia da lesão primária antes de tratamento específico quando há dúvida diagnóstica ou quando o resultado histológico irá orientar o tratamento. A histologia define tipo tumoral, grau e características que influenciam estadiamento e estratégia terapêutica.
Linfonodos inguinais palpáveis também merecem avaliação sistemática. Eles podem estar aumentados por inflamação ou por metástase; tamanho, mobilidade, resposta ao tratamento de infecção concomitante e métodos de estadiamento nodal ajudam a diferenciar as possibilidades.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A persistência, o aspecto verrucoso e os fatores de risco tornam neoplasia peniana provável. A biópsia é necessária para confirmar histologia antes de definir tratamento definitivo.
B) Incorreta. Sorologias para IST podem ser solicitadas conforme história de risco, mas não substituem a biópsia de uma lesão suspeita de câncer. Tratar empiricamente enquanto se espera sorologia pode atrasar o diagnóstico oncológico.
C) Incorreta. Higiene adequada é importante, mas a lesão já persiste há três meses apesar de antibiótico. Corticoide tópico em lesão tumoral não diagnosticada pode mascarar sinais e retardar investigação.
D) Incorreta. Não há base para tratar a parceira como se a lesão fosse uma infecção genital simples. O problema prioritário é excluir carcinoma peniano por histologia.