Homem de 44 anos é levado à sala de emergência dopronto-socorro apresentando agitação intensa, confusão mental, tremores generalizados e sudorese profusa. Ao exame físico verifica-se frequência cardíaca de 110 bpm e pressão arterial (PA) de 150 x 110 mmHg. O paciente é etilista crônico, sem antecedentes patológicos e seus familiares relatam que ele interrompeu o consumo de álcool há 48 horas.
Delirium, tremor e hiperatividade autonômica 48 a 96 horas após parar álcool = delirium tremens.
Primeira linha é benzodiazepínico titulado; antipsicótico é apenas adjuvante.
Dê tiamina antes ou junto da glicose e corrija distúrbios hidroeletrolíticos.
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Contexto
Agitação, desorientação, tremor, sudorese, taquicardia e hipertensão 48 horas após interromper álcool em um etilista crônico caracterizam delirium por abstinência alcoólica, o delirium tremens. O quadro costuma surgir entre 48 e 96 horas após a última ingestão e resulta de hiperatividade glutamatérgica e adrenérgica após retirada abrupta do efeito inibitório crônico do álcool.
Benzodiazepínicos são o tratamento de primeira linha porque restauram atividade gabaérgica, controlam agitação e reduzem convulsões e mortalidade. A diretriz da American Society of Addiction Medicine de 2020 e as recomendações da Organização Mundial da Saúde orientam doses repetidas e tituladas, por via intravenosa nos quadros graves, até o paciente ficar calmo, mas despertável. Diazepam tem início rápido; lorazepam pode ser preferido em insuficiência hepática importante.
O manejo inclui ambiente monitorizado, avaliação de glicemia e eletrólitos, reposição de tiamina antes ou junto da glicose, hidratação criteriosa e investigação de infecção, trauma ou outras causas de delirium. Antipsicóticos podem ser adjuvantes quando há agitação ou alucinação refratária, mas nunca substituem benzodiazepínicos porque não previnem convulsões e podem reduzir o limiar convulsivo.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O diagnóstico está correto, mas haloperidol isolado não trata a fisiopatologia da abstinência e não protege contra convulsões. Pode ser usado apenas como adjuvante após benzodiazepínico adequado.
B) Correta (gabarito). Reconhece o delirium tremens pelo tempo de abstinência e pela hiperatividade autonômica e indica benzodiazepínico intravenoso, tratamento inicial capaz de controlar o quadro e prevenir complicações.
C) Incorreta. A pressão de 150 x 110 mmHg pode ser explicada pela descarga autonômica. Encefalopatia hipertensiva requer lesão aguda de órgão-alvo atribuível à hipertensão, geralmente com elevação pressórica mais grave, e não explica a relação temporal com a suspensão do álcool.
D) Incorreta. Nitroprussiato não trata abstinência e pode causar queda pressórica perigosa. O alvo é controlar a hiperatividade central com benzodiazepínico; a pressão costuma melhorar junto com a sedação adequada.