Atenção primária: princípios e atributos

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 70
INEP · 2025

Uma médica recém-contratada por uma operadora de plano de saúde assume uma equipe multiprofissional. A operadora implementou um programa de reorganização da linha de cuidado com enfoque no modelo de atenção primária à saúde (APS). Após três meses, a médica observa que muitos pacientes resistem ao novo fluxo de cuidados e solicitam consultas diretas com especialistas, exames de imagem de alta complexidade e procedimentos. O sistema de regulação interna da operadora determina que todos os encaminhamentos sejam realizados pela equipe da APS, exceto em casos de urgência.

Com base na regulamentação da saúde suplementar, qual deve ser o papel dessa médica?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Em um modelo de saúde suplementar organizado a partir da Atenção Primária à Saúde, o médico não é um simples autorizador de procedimentos nem um bloqueador de custos. Sua função é coordenar e gerir o cuidado, definindo encaminhamentos conforme necessidade clínica, preferências do paciente, risco, diretrizes baseadas em evidências e capacidade resolutiva da rede.

O Projeto Cuidado Integral à Saúde da Agência Nacional de Saúde Suplementar, em sua terceira edição atualizada em 2026, estrutura o modelo de atenção coordenado em rede a partir de atributos da APS: acesso oportuno e resolutivo, coordenação do cuidado, longitudinalidade, atenção integrada, centralidade no beneficiário, promoção e prevenção, gestão populacional e uso qualificado da informação.

Coordenação não é sinônimo de negar especialista. A equipe de APS deve resolver aquilo que está dentro de sua competência e encaminhar quando o recurso especializado agrega valor. Ao mesmo tempo, exames de alta complexidade e procedimentos não devem ser solicitados apenas porque foram demandados, quando não há indicação clínica.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. A APS não deve restringir especialidades ou exames simplesmente porque são caros ou porque tem alta resolutividade. O critério deve ser valor clínico e necessidade, não contenção financeira isolada.

B) Correta (gabarito). Atuar como gestora do cuidado, utilizando critérios clínicos e diretrizes baseadas em evidências para decidir quando encaminhar, é exatamente a função de coordenação prevista nos modelos de APS da saúde suplementar.

C) Incorreta. Autonomia do paciente inclui informação, participação e decisão compartilhada, mas não significa direito automático a qualquer exame ou especialista sem indicação clínica. Flexibilizar indiscriminadamente o fluxo destrói a coordenação do cuidado.

D) Incorreta. Regulação administrativa pode apoiar o fluxo, mas a responsabilidade clínica pelo encaminhamento não deve ser terceirizada integralmente. Escuta e acolhimento são necessários, porém precisam resultar em decisão clínica coordenada.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: médico de família não é gatekeeper de custo; é coordenador clínico do cuidado.

  • Encaminhar pouco não é sinônimo de boa APS. O objetivo é encaminhar a pessoa certa, no momento certo, para o recurso certo.

  • ANS 2026 reforça acesso, longitudinalidade, coordenação, integração e centralidade no beneficiário no modelo de atenção coordenado em rede.

  • Autonomia do paciente exige decisão compartilhada, não solicitação automática de procedimentos sem indicação.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Atenção primária: princípios e atributos” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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