Homem de 28 anos, estudante universitário, residente em zona urbana, comparece à Unidade Básica de Saúde (UBS) referindo aparecimento de lesão cutânea em região dorsal da mão, cerca de 1 mês após ter sofrido arranhadura de gato de rua. A lesão apresenta úlceras com presença de crostas além de nodulações próximas. Foi submetido à biópsia da lesão cutânea e cultura de material. Observou-se dermatite granulomatosa difusa, presença de corpos asteroides e material eosinofílico ao redor de células características.

Pegadinha central: gato mais lesão ulcerada mais nódulos subindo pelo membro é esporotricose até prova em contrário.
Corpos asteroides ajudam, mas a cultura é mais específica para confirmação.
Itraconazol é tratamento de escolha na forma cutânea; não pare assim que a lesão começa a melhorar.
Desde 2025, a esporotricose humana integra a lista nacional de notificação compulsória no Brasil, tema que ganhou ainda mais relevância epidemiológica.
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Contexto
A imagem mostra uma lesão ulcerada e crostosa no dorso da mão acompanhada por nódulos satélites em disposição ascendente, padrão linfocutâneo ou esporotricoide. Somado ao aparecimento cerca de um mês após arranhadura de gato de rua, o quadro é clássico de esporotricose linfocutânea. No Brasil, a transmissão zoonótica por gatos, especialmente relacionada a espécies do complexo Sporothrix, é um recorte epidemiológico de alto rendimento.
A histopatologia com dermatite granulomatosa e corpos asteroides, com material eosinofílico ao redor da levedura pelo fenômeno de Splendore-Hoeppli, reforça o diagnóstico, mas não é isoladamente patognomônica. A cultura do material da lesão permanece método importante para confirmação etiológica.
A Nota Técnica nº 20/2025 do Ministério da Saúde orienta, para formas linfocutânea e cutânea fixa em adultos, itraconazol em dose de 100 a 200 mg por via oral uma vez ao dia. O tratamento é prolongado e deve ser mantido até a cura clínica, podendo seguir por até um mês após a cicatrização completa. Portanto, quatro meses, os 120 dias citados na alternativa, são totalmente compatíveis com o manejo de uma forma cutânea não complicada.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Furunculose é infecção bacteriana profunda do folículo piloso, em geral por Staphylococcus aureus. Não produz o padrão de nódulos em cadeia linfática após inoculação por gato e não explica os achados granulomatosos descritos.
B) Incorreta. Herpes-zoster costuma causar vesículas agrupadas sobre base eritematosa em distribuição dermatomérica, acompanhadas de dor ou hipersensibilidade neuropática. Não é uma linfangite nodular crônica após arranhadura.
C) Correta (gabarito). A associação entre inoculação por gato, úlcera cutânea, nódulos em trajeto linfático e histologia compatível torna esporotricose o diagnóstico mais provável. Itraconazol por tratamento prolongado é a conduta de escolha nas formas cutâneas não graves.
D) Incorreta. Paracoccidioidomicose é adquirida principalmente por inalação e costuma envolver pulmões, mucosas e sistema reticuloendotelial. Anfotericina B é reservada a apresentações graves, não sendo o tratamento de escolha para este padrão linfocutâneo localizado.