Menino de 10 anos, com anemia falciforme, foi trazido à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com quadro de febre alta há 48 horas e sintomas gripais. Durante a observação na unidade, evoluiu com dor torácica e queda na saturação de O2 de 89% em ar ambiente. Ausculta pulmonar: diminuição discreta do murmúrio vesicular à esquerda. Frequência cardíaca normal.
Pegadinha central: febre ou dor torácica mais hipoxemia em falcêmico é síndrome torácica aguda até prova em contrário.
PCDT do Ministério da Saúde 2024: síndrome torácica aguda exige internação; saturação abaixo de 93 por cento é sinal de gravidade.
Não hiper-hidrate o paciente; mantenha euvolemia.
Tratamento inclui oxigênio, analgesia, antibiótico e avaliação de transfusão conforme gravidade.
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Contexto
Em paciente com doença falciforme, febre, dor torácica e hipoxemia devem levantar imediatamente a suspeita de síndrome torácica aguda. A síndrome é definida por novo infiltrado pulmonar não explicado apenas por atelectasia associado a pelo menos um sintoma respiratório ou febre. Portanto, a radiografia de tórax deve ser obtida, mas a suspeita clínica já exige manejo urgente.
O PCDT da Doença Falciforme do Ministério da Saúde de 2024 classifica a síndrome torácica aguda como emergência que requer internação. Saturação abaixo de 93 por cento é marcador de gravidade no protocolo; esta criança está com 89 por cento em ar ambiente.
O manejo inclui oxigênio suplementar, analgesia adequada, antibiótico parenteral com cobertura para agentes típicos e atípicos, fisioterapia respiratória ou espirometria de incentivo conforme idade e capacidade, e hidratação cuidadosa. Excesso de fluidos pode piorar edema pulmonar. Transfusão simples ou de troca é considerada conforme gravidade, queda de hemoglobina, progressão radiográfica e resposta ao tratamento.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). O quadro é altamente compatível com síndrome torácica aguda e exige internação, analgesia e antibiótico parenteral. Neste caso, a saturação de 89 por cento também exige oxigênio e monitorização estreita.
B) Incorreta. Tromboembolismo pulmonar é diferencial possível, inclusive em doença falciforme, mas febre, síndrome gripal e quadro respiratório em criança falciforme tornam síndrome torácica aguda muito mais provável. Anticoagulação plena sem confirmação seria inadequada.
C) Incorreta. Síndrome torácica aguda não deve ser conduzida apenas em observação breve. A hipoxemia importante e a possibilidade de deterioração rápida exigem internação e antibioticoterapia. Hidratação excessiva pode agravar o quadro.
D) Incorreta. Não há diagnóstico estabelecido de embolia pulmonar e anticoagulação profilática não trata uma embolia aguda. Além disso, o diagnóstico mais provável é síndrome torácica aguda.