Médica de 32 anos foi contratada pelo Programa Mais Médicos para trabalhar na Unidade Básica de Saúde (UBS) no distrito sanitário especial indígena Yanomami na Amazônia, região endêmica para malária.
Pegadinha central: o gabarito farmacológico é doxiciclina, mas a orientação atual do Ministério da Saúde não indica quimioprofilaxia rotineira para viajantes em território brasileiro.
Doxiciclina, quando usada para profilaxia, começa 1 a 2 dias antes e continua por 4 semanas após a saída da área de risco.
Artesunato é tratamento, não profilaxia; cloroquina falha onde há resistência de P. falciparum.
Na Amazônia brasileira, prevenção de picadas, diagnóstico rápido e tratamento oportuno continuam sendo pilares centrais.
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Contexto
Entre as alternativas, a doxiciclina é o fármaco reconhecido para quimioprofilaxia contra malária por Plasmodium falciparum em áreas com resistência à cloroquina. Em adultos, esquemas internacionais usam doxiciclina 100 mg uma vez ao dia, iniciada 1 a 2 dias antes da exposição, mantida durante a permanência e por 4 semanas após sair da área de risco.
Existe, porém, uma divergência importante entre o gabarito da questão e a orientação brasileira atual. O Ministério da Saúde informa atualmente que não se indica quimioprofilaxia de rotina para viajantes em território nacional, inclusive na área endêmica amazônica, porque predomina P. vivax, a proteção farmacológica contra essa espécie é limitada e o país prioriza medidas contra picadas, diagnóstico precoce e tratamento oportuno. O próprio Ministério reserva quimioprofilaxia para situações específicas em que o risco de malária grave por P. falciparum supere os riscos dos medicamentos.
Assim, o gabarito B deve ser mantido porque a banca está cobrando qual medicamento seria apropriado entre as opções caso se adote quimioprofilaxia farmacológica. Para a prática atual no Brasil, a decisão de usar profilaxia em uma profissional que trabalhará no DSEI Yanomami precisa seguir avaliação individual e protocolo vigente do serviço, não ser presumida como rotina para todo deslocamento à Amazônia.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Artesunato é antimalárico de tratamento, inclusive peça central no manejo de malária grave, e não fármaco de quimioprofilaxia rotineira.
B) Correta (gabarito). Doxiciclina é a única alternativa listada que corresponde a uma opção clássica de quimioprofilaxia para exposição a P. falciparum resistente à cloroquina. A ressalva é que o Ministério da Saúde atualmente não recomenda quimioprofilaxia rotineira para viajantes dentro do Brasil; o uso deve ser excepcional e individualizado.
C) Incorreta. Primaquina tem papel principal na eliminação de hipnozoítos de P. vivax e P. ovale e em estratégias específicas. Além disso, seu uso exige avaliação do risco de hemólise por deficiência de G6PD. Não é a resposta padrão de quimioprofilaxia primária nesta questão.
D) Incorreta. Cloroquina não é a opção adequada quando há risco de P. falciparum resistente. Seu uso profilático fica restrito a locais onde a sensibilidade à cloroquina está preservada.