Primigesta de 24 anos chega à maternidade com queixa de cefaleia, febre e dores articulares leves há 5 dias. Relata que ontem houve piora da febre e surgimento de manchas pelo corpo, o que a fez procurar a emergência. O obstetra verifica o cartão do pré-natal e constata que ela está com 22 semanas de gestação e já realizou 3 consultas na unidade básica de saúde (UBS), sempre com sinais vitais normais e exames laboratoriais sem alterações. Ao exame físico, a paciente apresenta-se em bom estado geral, lúcida e orientada. Durante a análise clínica, foram obtidos os seguintes resultados:
Após ouvir a história da paciente e examiná-la, o médico solicita um hemograma, cujo resultado é:
Exantema febril com plaquetas muito baixas favorece dengue, não zika.
Gestante com dengue e trombocitopenia grave deve ser internada e monitorizada.
Não transfunda plaquetas apenas pelo número e nunca use anti-inflamatório ou AAS.
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Contexto
Febre alta, cefaleia, exantema e plaquetopenia de 28.000/mm3 em gestante de 22 semanas apontam para dengue. Chikungunya costuma produzir artralgia intensa, frequentemente incapacitante; zika geralmente causa febre baixa, exantema pruriginoso e conjuntivite; a plaquetopenia grave favorece dengue.
A gestação aumenta o risco de complicações hemorrágicas e obstétricas. Plaquetas abaixo de 50.000/mm3 exigem vigilância hospitalar, repetição de hemograma e hematócrito, avaliação de sangramento, diurese, sinais de alarme e bem-estar fetal. A hidratação deve ser guiada pelo estado clínico e pela fase da doença, evitando tanto hipovolemia quanto sobrecarga.
O tratamento é de suporte. Anti-inflamatórios e ácido acetilsalicílico são contraindicados. Paracetamol ou dipirona podem ser usados conforme protocolo e avaliação obstétrica. Transfusão profilática de plaquetas não é indicada apenas pelo número, na ausência de sangramento significativo ou procedimento invasivo. O gabarito menciona controle diário de plaquetas, mas o acompanhamento deve incluir também hematócrito e avaliação clínica seriada.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Dengue é a hipótese que melhor explica febre, exantema e trombocitopenia grave. A internação e a hidratação venosa são justificadas pelo risco materno e fetal, com monitorização laboratorial seriada.
B) Incorreta. Artralgia leve não sustenta chikungunya como principal diagnóstico, e a liberação após observação breve é insegura diante de 28.000 plaquetas.
C) Incorreta. Zika tende a causar febre baixa, prurido e conjuntivite, sem trombocitopenia grave como achado dominante. A gestante ainda precisaria de investigação fetal específica, mas esse não é o melhor diagnóstico.
D) Incorreta. Oropouche pode causar síndrome febril e exantema, mas não é a hipótese mais provável. Transfundir plaquetas profilaticamente e dar alta logo depois é inadequado.