Homem de 40 anos é levado a uma unidade de pronto atendimento após sofrer um acidente de trabalho enquanto utilizava uma máquina de esmerilhamento. Ele relata que um fragmento metálico de alta velocidade ultrapassou a proteção de seus óculos e atingiu seu olho direito. O paciente apresenta dor intensa no olho afetado, com perda parcial da visão e sensação de corpo estranho. O exame físico revela laceração na conjuntiva bulbar com extravasamento espontâneo de pequena quantidade de conteúdo gelatinoso pelo olho direito.
Suspeita de globo aberto: escudo rígido, nunca curativo compressivo.
Não irrigue, não faça tonometria e não retire objeto encravado.
Antibiótico sistêmico, profilaxia antitetânica, jejum e avaliação oftalmológica urgente completam a abordagem inicial.
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Contexto
Fragmento metálico em alta velocidade, perda visual, laceração conjuntival e extravasamento de conteúdo gelatinoso indicam ruptura do globo ocular com exteriorização de vítreo. Trata-se de emergência oftalmológica. A prioridade é impedir qualquer aumento de pressão sobre o olho, reduzir risco de endoftalmite e encaminhar para reparo cirúrgico urgente.
A American Academy of Ophthalmology recomenda proteger o olho com escudo rígido sem compressão, manter jejum, administrar antiemético e analgesia para evitar vômitos e manobra de Valsalva, verificar profilaxia antitetânica e iniciar antibiótico sistêmico com cobertura para organismos associados ao trauma penetrante. A tomografia de órbitas sem contraste pode localizar corpo estranho intraocular, mas não deve atrasar a avaliação cirúrgica.
Não se deve irrigar, pressionar, realizar tonometria, eversão forçada das pálpebras, ultrassonografia ocular ou remover corpo estranho encravado. Curativo oclusivo é inadequado porque exerce pressão sobre o globo. Colírios não substituem antibiótico sistêmico e qualquer manipulação tópica deve ser limitada.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Irrigar um globo aberto pode ampliar a extrusão de conteúdo ocular. Penicilina isolada não oferece cobertura adequada e aguardar seis horas sem avaliação especializada expõe o paciente a perda visual e infecção.
B) Correta (gabarito). O escudo rígido protege sem comprimir, a fluoroquinolona sistêmica reduz risco infeccioso e a situação vacinal antitetânica deve ser verificada. O encaminhamento ao oftalmologista é imediato.
C) Incorreta. Corticoide tópico não é medida inicial e pode prejudicar o controle infeccioso. A radiografia simples é menos sensível que a tomografia para corpo estranho e não substitui antibiótico sistêmico.
D) Incorreta. Antibiótico tópico é insuficiente em trauma penetrante. O curativo oclusivo comprime o globo e pode aumentar a perda de vítreo.