Mulher de 24 anos, previamente saudável, portadora de rim único, sofreu um acidente motociclístico há 7 dias. Foi levada a um hospital, onde foi submetida a craniectomia descompressiva e drenagem de hematoma subdural agudo. No entanto, há 1 dia, evoluiu com coma aperceptivo e ausência de reflexos de tronco encefálico. Diante disso, foi realizado o protocolo de morte encefálica, com confirmação diagnóstica. Testes laboratoriais mostraram função renal preservada, anti-HBs positivo e HBsAg negativo. Embora a paciente seja doadora de órgãos e tecidos, seu esposo se posiciona contra a doação, afirmando que isso interferirá em suas crenças.
No Brasil, decisão registrada em vida não supera recusa familiar na doação post mortem.
Anti-HBs positivo com HBsAg negativo sugere imunidade, não hepatite B ativa.
Contraindicação de um órgão não significa contraindicação de todos os órgãos e tecidos.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
No Brasil, a retirada de órgãos após morte encefálica depende de autorização familiar. A Lei 10.211 de 2001, que alterou a Lei 9.434 de 1997, estabelece que a manifestação prévia da pessoa como doadora não substitui o consentimento do cônjuge ou de parente maior de idade na linha reta ou colateral até o segundo grau.
Assim, a recusa do esposo impede a efetivação da doação. O Estado e a equipe de transplantes podem esclarecer dúvidas, acolher crenças e explicar o diagnóstico de morte encefálica, mas não podem impor a captação contra a decisão familiar exigida pela legislação.
Rim único não contraindica automaticamente a doação de outros órgãos e tecidos. A elegibilidade de cada órgão é definida por função, anatomia, infecção, neoplasia e avaliação da equipe transplantadora. Anti-HBs positivo com HBsAg negativo sugere imunidade contra hepatite B, por vacinação ou infecção pregressa resolvida, e não constitui impedimento isolado.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Ter rim único pode inviabilizar doação renal bilateral, mas não impede automaticamente doação de fígado, coração, pulmões, córneas ou outros tecidos. A função renal preservada deve ser avaliada individualmente.
B) Correta (gabarito). A legislação brasileira exige autorização familiar para doação post mortem, e o esposo é legitimado para consentir ou recusar.
C) Incorreta. O poder público não pode substituir judicial ou administrativamente a autorização familiar apenas para cumprir o desejo manifestado em vida.
D) Incorreta. Anti-HBs positivo e HBsAg negativo não indicam infecção ativa pelo vírus B e não impossibilitam a doação.