Mulher travesti de 28 anos, profissional do sexo, comparece à Unidade Básica de Saúde (UBS) em demanda espontânea. Relata relações sexuais frequentes com diferentes parceiros, com uso inconsistente de preservativos, principalmente durante relações anais receptivas. Há 2 dias teve uma relação sexual desprotegida com um cliente que se recusou a usar camisinha. Nunca utilizou medicamento para profilaxia pré-exposição (PrEP) ou pós-exposição (PEP) à infecção pelo HIV.
Pegadinha central: exposição já aconteceu há menos de 72 horas, então é PEP primeiro; risco futuro persistente leva a PrEP depois.
PEP deve começar o mais rápido possível e dura 28 dias.
Ao fim da PEP, risco continuado é oportunidade para transição direta para PrEP após exclusão de infecção pelo HIV.
Prevenção combinada inclui testagem de IST, vacinação quando indicada, preservativos e escolha de estratégia biomédica compatível com o padrão de exposição.
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Contexto
A exposição ocorreu há 2 dias, portanto está dentro da janela máxima de 72 horas para profilaxia pós-exposição ao HIV. O PCDT de PEP do Ministério da Saúde foi atualizado em 2025 e orienta que a profilaxia seja iniciada o mais rápido possível, idealmente nas primeiras horas e no máximo até 72 horas, por 28 dias. Relação anal receptiva sem preservativo é uma exposição sexual de risco relevante.
Na avaliação inicial, deve-se realizar teste para HIV, além de investigar sífilis e hepatites B e C e avaliar outras IST conforme práticas sexuais e sítios de exposição. Se o teste inicial para HIV for não reagente e não houver evidência de infecção aguda que contraindique a estratégia, a PEP deve ser iniciada sem atraso. O estado vacinal para hepatite B e HPV também deve ser revisado conforme as recomendações do SUS.
Esta paciente também apresenta risco continuado, porque relata relações frequentes com múltiplos parceiros e uso inconsistente de preservativos. O PCDT brasileiro de PrEP 2025 recomenda aproveitar a PEP como oportunidade de entrada na prevenção contínua: ao terminar os 28 dias de PEP e excluir infecção pelo HIV, pode-se fazer transição para PrEP.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A ordem está invertida. A exposição recente dentro de 72 horas exige PEP agora. Iniciar PrEP primeiro e deixar a PEP para depois não protege adequadamente contra a exposição que já aconteceu.
B) Incorreta. PrEP é prevenção para exposições futuras e contínuas. Ela não substitui a PEP indicada para uma exposição sexual relevante ocorrida há apenas 48 horas.
C) Correta (gabarito). A sequência está correta: testagem inicial, início de PEP diante de HIV não reagente e exposição elegível, completar 28 dias e depois transicionar para PrEP, já que o risco sexual permanece elevado.
D) Incorreta. Não se prescrevem PEP e PrEP como dois esquemas independentes concomitantes. A PEP é concluída primeiro e, após avaliação e exclusão de infecção pelo HIV, realiza-se a transição para PrEP.