Homem de 34 anos se dirige à Unidade Básica de Saúde (UBS) com febre (38,5 °C), dores de moderada intensidade e manchas no corpo há 3 dias. No dia da consulta, iniciou com dores abdominais e vômitos incontroláveis. Exame físico: prostrado, mucosas coradas, extremidades bem perfundidas. Pressão arterial de 120 x 80 mmHg; frequência respiratória de 16 irpm; frequência cardíaca de 80 bpm. Leve dor à palpação abdominal, sem outras alterações.
Pegadinha central: dor abdominal intensa ou contínua e vômitos persistentes transformam dengue em grupo C, mesmo sem choque.
Grupo C recebe hidratação IV e observação com reavaliação clínica e hematócrito.
No início da doença, NS1 é mais útil; IgM ganha rendimento depois dos primeiros dias.
O paciente pode parecer hemodinamicamente estável antes de piorar, por isso sinais de alarme não devem ser banalizados.
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Contexto
O paciente tem síndrome febril compatível com dengue e, no terceiro dia, evolui com dor abdominal e vômitos persistentes. Esses são sinais de alarme reconhecidos pelo Ministério da Saúde e mudam a classificação para grupo C, mesmo que pressão arterial, perfusão e frequência cardíaca ainda estejam preservadas. Grupo C significa dengue com sinal de alarme, sem necessariamente haver choque.
O mecanismo dos sinais de alarme é o aumento da permeabilidade capilar e o risco de extravasamento plasmático, que costuma se intensificar na transição para a fase crítica, frequentemente entre o terceiro e o sétimo dia. O paciente deve receber hidratação venosa e observação com reavaliações seriadas de sinais vitais, perfusão, diurese e hematócrito. O suporte à decisão clínica do Ministério da Saúde recomenda, para grupo C, soro fisiológico 10 mL/kg na primeira hora, com nova avaliação e repetição conforme resposta clínica.
Como o quadro tem apenas 3 dias, o antígeno NS1 ainda pode ser útil na confirmação etiológica, pois tem melhor desempenho no início da doença. IgM costuma tornar-se mais útil após aproximadamente o quinto ou sexto dia. O diagnóstico e o tratamento, porém, não devem ser atrasados esperando resultado laboratorial.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Dor abdominal e vômitos persistentes já constituem sinais de alarme, portanto o paciente não pertence ao grupo B. Acompanhamento domiciliar após simples hidratação oral subestima o risco de evolução para extravasamento plasmático.
B) Incorreta. A classificação como grupo C está correta, mas a conduta está errada. Sinais de alarme exigem hidratação parenteral e observação, não apenas hidratação oral com seguimento ambulatorial.
C) Correta (gabarito). Reconhece corretamente o grupo C e propõe hidratação venosa, analgesia e antiemético, avaliação laboratorial e observação até estabilização. No terceiro dia, NS1 é apropriado como teste etiológico.
D) Incorreta. A hidratação venosa e a observação seriam compatíveis com grupo C, mas a alternativa classifica erroneamente o paciente como grupo B. Além disso, solicitar simultaneamente NS1 e IgM no terceiro dia não é a estratégia sorológica mais racional de rotina.