Mulher de 60 anos é encaminhada para atendimento especializado por ter apresentado 4 episódios de sangramento vaginal. Ela está lúcida, orientada, sem queixas e com autonomia em sua vida pessoal e social. Apresentou uma ultrassonografia transvaginal com endométrio de 12 mm de espessura e heterogêneo. Foi indicada histeroscopia diagnóstica, mas a paciente recusa-se a fazer porque acha que o sangramento é normal.
Recusa autônoma exige informação suficiente; desconhecimento do risco precisa ser corrigido.
Sangramento pós-menopausa recorrente com endométrio de 12 mm exige estudo histológico.
Depois de informar, documente a decisão e mantenha o vínculo mesmo se a paciente recusar.
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Contexto
Quatro episódios de sangramento pós-menopausa e endométrio heterogêneo de 12 mm apresentam risco relevante de hiperplasia ou câncer endometrial. O limite ultrassonográfico de baixo risco em episódio inicial é cerca de 4 mm; valor maior, heterogeneidade ou recorrência exige obtenção de tecido, por biópsia endometrial ou histeroscopia conforme o caso.
A paciente está lúcida, orientada e autônoma, mas acredita equivocadamente que o sangramento é normal. Uma recusa só é verdadeiramente informada quando ela compreende diagnóstico provável, benefícios, riscos de não investigar, alternativas e consequências do atraso. O médico deve dizer claramente que câncer é uma possibilidade e que o exame é necessário para confirmar ou excluir a doença.
Após informação adequada, uma pessoa capaz ainda pode recusar. A equipe deve explorar dúvidas e medo, oferecer alternativas tecnicamente válidas, verificar compreensão, registrar a decisão e manter acompanhamento, sem coerção, ameaça ou ocultação de informações.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Respeitar autonomia não significa silenciar sobre riscos. Evitar discutir câncer mantém a recusa baseada em desinformação.
B) Correta (gabarito). O médico deve comunicar a possibilidade de neoplasia e reforçar a importância da avaliação histológica, permitindo decisão consciente.
C) Incorreta. A paciente capaz é a titular da informação. Informar apenas a família e ocultar o diagnóstico provável viola autonomia e confidencialidade.
D) Incorreta. Ameaçar interromper o acompanhamento é abandono e coerção. Mesmo recusando o exame, a paciente deve continuar acolhida e acompanhada.