Diarreia aguda e crônica na criança

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 83
INEP · 2025

Criança de 3 anos é trazida à Unidade Básica de Saúde (UBS) com quadro de diarreia aquosa de grande volume, com aparência de água de arroz e um forte odor de peixe podre. A mãe relata que a criança está assim há 2 dias, mas no dia da consulta ficou prostrada, mal conseguia andar. Eles moram numa área de ocupação, sem saneamento básico nem água tratada. Relata também que outras crianças estão com quadro semelhante. Ao exame físico, desidratação grave, abdome com peristaltismo presente, timpânico, indolor à palpação, sem visceromegalias.

Considerando esse caso clínico, a principal hipótese diagnóstica a ser investigada é
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O quadro é clássico de cólera: diarreia aquosa muito volumosa, aspecto de água de arroz, rápida evolução para desidratação grave, ausência de dor abdominal importante e ocorrência simultânea de casos em local sem saneamento e sem água tratada. O agente é o Vibrio cholerae toxigênico.

A toxina colérica aumenta AMPc nos enterócitos e promove secreção maciça de cloro, sódio e água para a luz intestinal sem destruição importante da mucosa. Por isso, a diarreia é profusa e aquosa, podendo levar a choque hipovolêmico em poucas horas, enquanto o abdome permanece relativamente indolor.

O Ministério da Saúde mantém a reidratação como base absoluta do tratamento. Casos leves ou moderados podem ser tratados com solução de reidratação oral; desidratação grave exige fluidos intravenosos conforme o Plano C, com SRO tão logo seja possível. Antibióticos são adjuvantes em casos graves e podem reduzir duração da diarreia, volume de perdas e excreção do vibrião.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). Diarreia profusa em água de arroz, desidratação grave e surto em área sem saneamento formam o cenário epidemiológico e clínico clássico de cólera.

B) Incorreta. Rotavírus pode causar diarreia aquosa intensa em crianças, mas costuma associar vômitos e febre e não produz de forma tão característica o padrão de água de arroz associado a surto por saneamento inadequado.

C) Incorreta. Giardíase é geralmente mais arrastada, com distensão abdominal, má absorção e fezes fétidas ou gordurosas. Não costuma provocar perda hídrica secretória maciça em dois dias.

D) Incorreta. Uma intoxicação alimentar inespecífica não explica tão bem o padrão clássico das fezes, a desidratação extrema e múltiplos casos em ambiente com alto risco de transmissão de cólera.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: água de arroz mais desidratação explosiva mais saneamento precário é cólera até prova em contrário.

  • O mecanismo é secretório por toxina, por isso pode haver enorme perda de água sem dor abdominal exuberante.

  • Na cólera, quem salva a vida é a reidratação; antibiótico é complementar.

  • Desidratação grave exige Plano C e reavaliação frequente.

Estudar tudo por igual é o que faz o seu tempo não render.

A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.

O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.

Criar conta grátis
Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Diarreia aguda e crônica na criança” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
Treinar este tema →