Ética médica e Código de Ética Médica

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 98
INEP · 2025

Menino de 10 anos é levado para um serviço de urgência com quadro compatível com politraumatismo e choque hemorrágico. Há indicação de transfusão de concentrado de hemácias, porém a mãe do paciente informa que a família e a criança são Testemunhas de Jeová e recusam terminantemente a transfusão.

Considerando esse caso clínico e as questões éticas nele implicadas, assinale a alternativa correta.
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A criança apresenta politraumatismo e choque hemorrágico com indicação de concentrado de hemácias. Diferentemente do adulto capaz, o responsável legal não pode recusar tratamento indispensável e expor o menor a risco relevante de morte. O melhor interesse da criança e o dever de proteção prevalecem sobre a decisão substitutiva dos pais.

A Resolução CFM 2.232 de 2019 estabelece que, em risco relevante à saúde, a recusa terapêutica do representante de menor não deve ser aceita. Em urgência com perigo iminente, a equipe deve adotar as medidas necessárias para preservar a vida. A decisão do Supremo Tribunal Federal de 2024 protege a recusa de adultos capazes e não autoriza responsáveis a impor risco fatal a uma criança.

Deve-se usar simultaneamente todas as estratégias de conservação sanguínea compatíveis com o trauma, como controle imediato da hemorragia, ácido tranexâmico quando indicado, ressuscitação hemostática e redução de coletas. Se houver tempo sem aumentar o risco, direção técnica, Conselho Tutelar e Ministério Público podem ser comunicados, mas a transfusão emergencial não deve aguardar ordem judicial.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). A recusa parental não deve impedir transfusão necessária para salvar a vida do menor em choque hemorrágico. A equipe deve agir e documentar a emergência.

B) Incorreta. Autonomia substitutiva dos pais é limitada pelo melhor interesse da criança e não permite recusar cuidado vital.

C) Incorreta. Suspender atendimento seria abandono e omissão de socorro. A equipe deve continuar toda a ressuscitação indicada.

D) Incorreta. Autoridades podem ser comunicadas em discordância insuperável, mas não são elas que devem decidir antes de uma transfusão emergencial. Esperar agravaria o risco de morte.

Bizu MedBoard
  • Recusa religiosa de adulto capaz é respeitada; recusa dos pais não pode condenar criança em emergência.

  • Choque hemorrágico exige transfusão e controle da fonte sem aguardar decisão judicial.

  • Comunique autoridades quando possível, mas nunca atrase a medida salvadora.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Ética médica e Código de Ética Médica” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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