Gestante de 39 anos, G4P3, 12 semanas de gestação, comparece à primeira consulta de pré-natal na atenção primária. A paciente é hipertensa crônica há 2 anos, faz uso de losartana e apresenta índice de massa corporal (IMC) de 35 kg/m2, encontra-se assintomática.
Gestante usando inibidor da ECA ou bloqueador do receptor de angiotensina: suspenda ao reconhecer a gestação.
Hipertensão crônica é fator de alto risco suficiente para iniciar AAS preventivo; obesidade reforça a indicação.
Faça proteinúria e função renal basais para diferenciar doença prévia de pré-eclâmpsia sobreposta.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
A hipertensão existente antes da gestação ou diagnosticada antes de 20 semanas é classificada como hipertensão arterial crônica. A losartana, um bloqueador do receptor de angiotensina, deve ser suspensa assim que a gestação é reconhecida, pois a inibição do sistema renina-angiotensina fetal pode causar disfunção renal, oligodrâmnio, hipoplasia pulmonar e óbito fetal, com risco particularmente conhecido após o primeiro trimestre.
Metildopa é uma opção compatível com a gestação, embora nifedipino de liberação prolongada e labetalol também sejam usados como primeira linha em muitas diretrizes. A paciente tem dois fatores de alto risco para pré-eclâmpsia, hipertensão crônica e obesidade. A FEBRASGO, em recomendação de 2024, orienta AAS 100 mg à noite a partir de 12 semanas, preferencialmente iniciado até 16 semanas, para gestantes de alto risco.
A avaliação basal deve documentar se já existe lesão de órgão-alvo e criar referência para reconhecer pré-eclâmpsia sobreposta. Inclui creatinina e eletrólitos, hemograma e plaquetas, transaminases, quantificação de proteína urinária e avaliação cardiovascular conforme história e duração da hipertensão. Proteinúria prévia à 20ª semana sugere doença renal crônica; surgimento ou piora posterior pode indicar pré-eclâmpsia sobreposta.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Suspende o fármaco fetotóxico, substitui por anti-hipertensivo aceito na gestação, inicia profilaxia com AAS e solicita avaliação basal de órgãos-alvo. É a alternativa que aborda tratamento, prevenção e estratificação.
B) Incorreta. Manter losartana expõe o feto a toxicidade renal. Avaliar apenas função hepática é insuficiente, pois a investigação basal deve incluir principalmente rim, proteinúria, hemograma e sistema cardiovascular.
C) Incorreta. Suspender losartana é correto, mas a alternativa omite substituição anti-hipertensiva, profilaxia de pré-eclâmpsia e avaliação laboratorial basal. Consulta cardiológica isolada não cobre o risco obstétrico.
D) Incorreta. Mantém medicamento contraindicado. Investigação de hipertensão secundária é indicada quando há pistas clínicas, início muito precoce, resistência ou manifestações específicas, não como prioridade universal nesta primeira conduta.