Paciente de 25 anos, com duas gestações e um parto, no segundo trimestre de gestação, compareceu à primeira consulta de pré-natal sem queixas. Após orientações e realização dos testes rápidos, verificou-se que o teste para sífilis foi positivo e imediatamente a paciente recebeu 2,4 milhões UI de penicilina benzatina intramuscular. Paciente nega diagnóstico e tratamento prévios para sífilis.
Pegadinha central: VDRL acompanha atividade e resposta; FTA-Abs ajuda no diagnóstico, mas não serve para controle de cura.
Sífilis de duração ignorada na gestação exige 3 doses semanais de 2,4 milhões UI de penicilina benzatina.
Gestante tratada deve fazer VDRL quantitativo mensal durante a gestação.
Cicatriz sorológica é um diagnóstico de contexto, não um sinônimo automático de VDRL baixo.
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Contexto
Questão anulada oficialmente. A gestante tem teste treponêmico rápido reagente, nega tratamento prévio e não há informação que permita datar a infecção. O Ministério da Saúde orienta tratar a gestante imediatamente após um teste reagente, sem aguardar confirmação adicional, porque a penicilina benzatina é o único tratamento com eficácia comprovada para prevenir sífilis congênita. Entretanto, quando a duração é ignorada, o esquema deve ser o de sífilis tardia ou latente de duração ignorada: benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões UI IM por semana durante 3 semanas, total de 7,2 milhões UI. O PCDT do Ministério da Saúde para prevenção da transmissão vertical, com anexo atualizado em 2024, considera adequado o tratamento completo para o estágio clínico, com penicilina benzatina e concluído em tempo hábil antes do parto.
O acompanhamento é feito com teste não treponêmico quantitativo, como VDRL ou RPR. Uma queda de duas diluições, por exemplo de 1:32 para 1:8, corresponde a redução de quatro vezes do título e é parâmetro de resposta sorológica, mas deve ser interpretada conforme o estágio, o intervalo desde o tratamento e a ausência de reinfecção. Já testes treponêmicos, como FTA-Abs, frequentemente permanecem reagentes por muitos anos ou por toda a vida e não medem atividade da doença.
Cicatriz sorológica também não é definida por um número isolado. Títulos baixos persistentes, em geral 1:1 a 1:4, só podem ser interpretados como cicatriz após tratamento adequadamente documentado, evolução sorológica compatível e exclusão de nova exposição. O fato de o enunciado registrar apenas a primeira dose, sem estadiamento e sem conclusão do esquema indicado para duração ignorada, impede transformar uma regra de seguimento em resposta única e explica a anulação.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O tratamento materno adequado reduz drasticamente o risco de transmissão vertical e de manifestações fetais, mas não permite garantir ausência absoluta de sequela. O risco depende do estágio materno, idade gestacional, momento do tratamento, adequação do esquema e possibilidade de reinfecção.
B) Incorreta. Título de VDRL menor ou igual a 1:4, isoladamente, não define cicatriz sorológica. É necessário histórico de tratamento adequado, queda ou estabilização esperada dos títulos e ausência de nova exposição.
C) Alternativa tecnicamente plausível, mas sem gabarito oficial. A queda de duas diluições do VDRL é um parâmetro clássico de resposta sorológica. Porém, o item não informa o tempo decorrido, o estágio da doença nem a conclusão do esquema, e a gestante com duração ignorada recebeu apenas a primeira das três doses necessárias. Por isso, essa afirmação não resolve de forma inequívoca o acompanhamento descrito.
D) Incorreta. FTA-Abs é teste treponêmico e pode permanecer reagente mesmo após cura. Atividade e resposta terapêutica são acompanhadas com teste não treponêmico quantitativo, não com persistência do FTA-Abs.