Mulher de 58 anos procura Unidade Básica de Saúde (UBS) para renovar receita de diazepam 10 mg. Refere que faz uso da medicação há 25 anos e que não consegue adormecer sem ele. Inclusive, queixa-se de que a medicação vem perdendo eficácia e que sua memória está muito ruim.
Pegadinha central: benzodiazepínico crônico nunca deve ser cortado abruptamente se há dependência física.
ASAM 2025: uma redução inicial comum é 5 a 10 por cento a cada 2 a 4 semanas, ajustando ao paciente.
Perda de eficácia significa tolerância, não indicação automática para subir a dose.
Para insônia crônica, terapia cognitivo-comportamental para insônia é preferível à simples troca por outro sedativo.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
Vinte e cinco anos de diazepam, perda progressiva do efeito e dificuldade de dormir sem a medicação indicam tolerância e dependência física. A queixa de piora da memória também é compatível com efeitos adversos cognitivos do uso prolongado de benzodiazepínicos.
A Diretriz Clínica Conjunta sobre Redução de Benzodiazepínicos, liderada pela ASAM e publicada em 2025, recomenda que pacientes com uso regular prolongado não tenham o medicamento interrompido abruptamente. A retirada deve ser gradual, individualizada e acompanhada de sintomas de abstinência. Uma estratégia inicial frequente é reduzir cerca de 5 a 10 por cento da dose total a cada 2 a 4 semanas, geralmente evitando reduções superiores a 25 por cento a cada 2 semanas.
Após uso crônico, retirada abrupta pode causar ansiedade intensa, insônia de rebote, tremor, sudorese, taquicardia, alterações perceptivas, delirium e convulsões. Quanto maior o tempo de exposição, maior a necessidade de um plano lento e flexível.
Há uma ressalva importante em relação à alternativa B. O trecho correto e indispensável é a redução gradual. Na prática atual, o tratamento de primeira linha da insônia crônica é terapia cognitivo-comportamental para insônia e medidas comportamentais, e não a troca automática por outro sedativo. Uma medicação não benzodiazepínica pode ser considerada caso a caso, conforme diagnóstico, riscos e resposta.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Renovar indefinidamente o diazepam mantém a dependência e os efeitos cognitivos. Associar melatonina não corrige o problema principal, que é o uso crônico de benzodiazepínico com tolerância.
B) Correta (gabarito). A retirada gradual é o núcleo correto da conduta e reduz o risco de abstinência. A alternativa também propõe uma estratégia não benzodiazepínica para o sono. Pelas recomendações atuais, essa substituição farmacológica não precisa ser automática e deve vir acompanhada de terapia comportamental para insônia.
C) Incorreta. Higiene do sono é útil, mas suspender de uma vez um benzodiazepínico usado por 25 anos é perigoso e pode causar abstinência grave, inclusive convulsões.
D) Incorreta. Aumentar a dose para compensar tolerância reforça dependência e aumenta risco de sedação, quedas, acidentes e prejuízo cognitivo.