Homem de 67 anos, com histórico de doença pulmonar obstrutiva crônica há 10 anos e tabagismo há 50 anos, é levado a unidade de pronto atendimento com desconforto respiratório, tosse e confusão mental há 2 horas. Familiar relata que, nos últimos 5 dias, houve piora progressiva da dispneia e aumento do volume de expectoração, além de mudança no aspecto dessa secreção, que passou de amarelo claro para verde escuro. Ao exame físico, encontra-se torporoso, com extremidades cianóticas e com sibilos e estertores difusos em todos os campos pulmonares.
Confusão ou torpor na DPOC é sinal de possível hipercapnia e indicação de internação.
Exacerbação moderada ou grave: corticoide sistêmico, em geral por 5 dias.
Dispneia + maior volume + purulência do escarro favorecem antibiótico.
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Contexto
O paciente apresenta exacerbação aguda de doença pulmonar obstrutiva crônica com os três critérios cardinais: aumento da dispneia, aumento do volume do escarro e purulência. Torpor e cianose indicam insuficiência respiratória grave, com risco de hipercapnia e acidose. Pelo GOLD 2026, alteração do estado mental, hipoxemia e incapacidade de manejo domiciliar são indicações de avaliação hospitalar.
O corticoide indicado na exacerbação é sistêmico, pois reduz tempo de recuperação, melhora função pulmonar e diminui risco de falha terapêutica. O esquema habitual é prednisona ou equivalente, 40 mg ao dia por 5 dias, por via oral quando possível. A via intravenosa é reservada a quem não consegue deglutir ou apresenta condição crítica.
Além do corticoide, este paciente necessita gasometria, oxigênio titulado para saturação geralmente entre 88% e 92%, broncodilatadores de curta ação, antibiótico pela purulência associada aos demais critérios e avaliação imediata de ventilação não invasiva se houver acidose respiratória. Rebaixamento progressivo ou incapacidade de proteger a via aérea pode exigir intubação.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O corticoide sistêmico está correto, mas torpor e cianose impedem acompanhamento ambulatorial. Há risco de falência ventilatória.
B) Incorreta. Corticoide inalatório tem papel na manutenção de pacientes selecionados, não substitui o curso sistêmico na exacerbação grave.
C) Incorreta. A internação é necessária, porém o corticoide obrigatório no episódio agudo é sistêmico, não apenas inalatório.
D) Correta (gabarito). Associa a via adequada do corticoide à necessidade de internação diante de alteração do sensório, cianose e sinais de exacerbação infecciosa grave.