Menina de 11 meses, nascida a termo é levada para avaliação médica pois a mãe está preocupada com o desenvolvimento da criança: está mais irritada, não senta sem apoio, não engatinha, e dorme pouco. A alimentação consiste de aleitamento materno complementado com a dieta da família, que é vegana. Faz suplementação de vitamina D (400 UI ao dia). O hemograma da criança revela leucócitos totais normais e diferencial de células sem alterações, além dos seguintes achados:
Lactente de família vegana com macrocitose e atraso do desenvolvimento tem deficiência de B12 até prova em contrário.
Não dê folato sem excluir ou tratar B12, pois a anemia pode melhorar enquanto o dano neurológico continua.
Manifestações neurológicas exigem reposição imediata, frequentemente parenteral no início.
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Contexto
Anemia com VCM de 101 fL, trombocitopenia, irritabilidade, distúrbio do sono e atraso motor em lactente alimentada com dieta vegana sugerem deficiência de vitamina B12. A cobalamina participa da síntese de DNA e da mielinização; sua falta provoca megaloblastose, citopenias e lesão neurológica que pode preceder ou ser desproporcional à anemia.
Dietas veganas podem ser adequadas apenas quando planejadas e suplementadas. Leite materno de mãe com baixa reserva e alimentação complementar sem fonte confiável de B12 colocam o lactente em alto risco. A investigação inclui vitamina B12, reticulócitos, esfregaço, ferritina, folato e, quando necessário, ácido metilmalônico e homocisteína, mas a reposição não deve ser atrasada diante de manifestações neurológicas.
O tratamento da deficiência sintomática grave costuma iniciar com cobalamina parenteral, ajustada ao protocolo pediátrico, além de correção dietética da criança e da mãe. Ferro pode ser necessário porque carências coexistem e a eritropoese acelerada após B12 pode revelar deficiência de ferro. A estimulação e a fisioterapia ajudam a recuperar habilidades motoras, sem substituir reposição.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Avaliação nutricional é pertinente, mas vitaminas A e C não corrigem anemia macrocítica nem deficiência neurológica por cobalamina.
B) Correta (gabarito). A alternativa inclui B12, nutriente crítico ausente na dieta, reposição de ferro diante do alto risco de deficiência associada e suporte de fisioterapia para o atraso motor.
C) Incorreta. Neurologista pode participar se houver evolução atípica, mas encaminhá-la antes de corrigir a deficiência atrasaria uma terapia urgente, ainda mais quando a causa é metabólica e tratável. E, apesar da indicação correta de vitamina B12, a dieta vegetariana normalmente fornece quantidades adequadas de ácido fólico.
D) Incorreta. A dose de vitamina D já corresponde à suplementação habitual. Vitamina D não explica macrocitose, trombocitopenia e atraso neurológico.