Homem de 50 anos, agricultor, procura atendimento médico na unidade básica de saúde (UBS) após mordedura de boi em antebraço esquerdo. A ferida é superficial, está limpa e apresenta sangramento local leve. O paciente relata que o animal não possui manifestações aparentes de raiva. Ele também afirma que o boi é de propriedade conhecida e pode ser mantido sob observação. Quando questionado, o paciente revela não ter histórico de vacinação prévia contra raiva.
Observação por 10 dias é para cão e gato, não para boi.
Ferida superficial em membro fora de mão e pé: vacina sem soro, conforme avaliação do caso.
Soro antirrábico é infiltrado na lesão e reservado a exposição grave em pessoa não imunizada.
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Contexto
A prevenção da raiva começa com lavagem imediata e abundante da ferida com água e sabão. Bovinos são mamíferos susceptíveis e podem transmitir raiva. A observação padronizada por 10 dias é validada para cães e gatos, não para bovinos, equinos ou outros herbívoros.
Como o paciente não foi previamente vacinado e sofreu mordedura por herbívoro, deve iniciar vacina antirrábica pós-exposição sem aguardar observação. O esquema vigente deve seguir a norma do Programa Nacional de Imunizações e ser registrado no atendimento antirrábico.
A Nota Técnica Conjunta do Ministério da Saúde de 2026 reforça que soro ou imunoglobulina são reservados a exposições graves em não vacinados, como ferimentos profundos, múltiplos, extensos ou em cabeça, face, pescoço, mãos, pés e genitais. A ferida descrita é superficial, única e no antebraço, portanto a vacina é suficiente entre as opções.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O protocolo de observação por 10 dias aplica-se a cão ou gato saudável e observável. Não se deve adiar profilaxia por mordedura de bovino.
B) Incorreta. Ausência de sinais de raiva no animal no momento da agressão não exclui risco, e o bovino não pode ser liberado pelo mesmo algoritmo de cães e gatos.
C) Correta (gabarito). Após limpeza, deve-se iniciar imediatamente a vacinação pós-exposição, pois o animal agressor é herbívoro potencialmente transmissor e o paciente não tem vacinação prévia.
D) Incorreta. Soro não é indicado em exposição leve. Seria associado à vacina em lesão grave ou situação de maior risco definida pelo protocolo.