Multípara, 37 semanas, obesa, apresentando diabetes mellitus gestacional controlada com insulina NPH e regular. Evoluiu para parto normal, e o recém-nascido pesou 3.300 g.
Pegadinha central: DM gestacional tratado com insulina não significa insulina para sempre; após o parto, suspende-se o esquema.
DM tipo 1 é diferente: continua precisando de insulina, geralmente em dose menor no puerpério.
Reclassifique o metabolismo materno com TOTG 75 g em 6 a 8 semanas após o parto.
DMG é marcador de risco futuro para diabetes tipo 2 e exige seguimento além do puerpério.
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Contexto
No diabetes mellitus gestacional, a resistência à insulina aumenta sobretudo pela ação dos hormônios placentários. Após a dequitação, essa resistência cai rapidamente. Por isso, a mulher que precisou de insulina apenas por diabetes gestacional geralmente não necessita continuar o esquema farmacológico usado durante a gravidez.
As recomendações brasileiras de cuidado obstétrico no diabetes gestacional orientam suspender a terapia farmacológica antidiabética após o parto nas mulheres com DMG e monitorar glicemia no puerpério imediato quando houve tratamento farmacológico durante a gestação. Depois, é necessária reclassificação metabólica, preferencialmente com teste oral de tolerância à glicose com 75 g entre 6 e 8 semanas após o parto, conforme a estratégia brasileira.
A suspensão imediata não significa que o problema terminou. Mulheres com DMG têm maior risco futuro de diabetes tipo 2 e precisam de seguimento longitudinal, incentivo a peso saudável, atividade física e rastreamento metabólico periódico.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A insulinoterapia utilizada para controlar o diabetes gestacional deve ser suspensa no puerpério imediato, porque a resistência insulínica placentária cai abruptamente após o parto. A paciente deve ter glicemias monitoradas e ser reavaliada posteriormente.
B) Incorreta. Não se troca automaticamente insulina por hipoglicemiante oral após o parto em uma mulher cujo diagnóstico era DM gestacional. Primeiro é necessário observar a glicemia e realizar reclassificação metabólica.
C) Incorreta. Reduzir a insulina para uma fração da dose é estratégia pertinente principalmente ao diabetes pré-gestacional, especialmente tipo 1, porque essas pacientes continuam dependentes de insulina. No DM gestacional isolado, a conduta é suspendê-la.
D) Incorreta. Manter a mesma dose do pré-natal ignora a queda abrupta da resistência insulínica após a retirada da placenta e aumenta o risco de hipoglicemia materna.