Menino, 3 anos, internado em uma unidade de terapia intensiva pediátrica com neoplasia de sistema nervoso central, foi operado pela neurocirurgia com retirada parcial da lesão há 3 meses, e desde então vem realizando tratamento quimioterápico. Ressonância magnética recente mostra aumento importante do tumor e a equipe de oncologia considera que não há mais possibilidades terapêuticas para tratamento do tumor. O paciente permanece acamado, pouco responsivo e acompanhado de sua mãe. A equipe multidisciplinar se reúne para definir quais condutas terapêuticas serão realizadas nesse paciente.
Sem tratamento oncológico útil não significa sem tratamento: muda o objetivo para conforto e dignidade.
Não ressuscitar evita manobra desproporcional, mas não suspende analgesia, cuidado e presença da equipe.
Sedação paliativa trata sintoma refratário e não é sinônimo de intubação.
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Contexto
A progressão tumoral apesar de cirurgia e quimioterapia, associada à avaliação de que não há tratamento modificador capaz de oferecer benefício, indica necessidade de concentrar o plano nos cuidados paliativos pediátricos. Isso não significa abandono: o cuidado continua ativo para aliviar dor, dispneia, náusea, convulsões, ansiedade e sofrimento familiar.
Opioides são indicados para dor moderada ou intensa e devem ser titulados conforme avaliação comportamental e clínica. A decisão de não realizar ressuscitação cardiopulmonar é apropriada quando a parada seria consequência esperada da doença irreversível e as manobras apenas acrescentariam trauma sem chance razoável de recuperação. A conversa deve ser compartilhada com a mãe, registrada e conduzida no melhor interesse da criança.
Sedação paliativa é reservada a sintoma refratário, após falha de medidas proporcionais, e não exige intubação. Nova cirurgia ou quimioterapia sem perspectiva de benefício representa obstinação terapêutica, podendo prolongar sofrimento e internação.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). O controle da dor com opioide e a discussão compartilhada de ordem de não ressuscitar oferecem cuidado proporcional à fase da doença.
B) Incorreta. Intubação não é instrumento rotineiro de conforto e pode aumentar sofrimento. Sedação só é indicada para sintomas refratários e pode ser feita sem ventilação invasiva.
C) Incorreta. Trocar empiricamente a quimioterapia quando a equipe concluiu que não há possibilidade terapêutica expõe a toxicidade sem benefício esperado.
D) Incorreta. Nova ressecção parcial não deve ser indicada apenas para prolongar biologicamente a vida quando não há objetivo paliativo claro e proporcional.