Homem de 48 anos, auxiliar de pedreiro, procura Unidade Básica de Saúde (UBS) com queixa de dor lombar iniciada há 3 semanas, de instalação insidiosa, sem irradiação. Relata que a dor piora ao final do dia e melhora parcialmente com repouso e uso de paracetamol. Nega perda de peso, febre, traumas, incontinência ou fraqueza nos membros inferiores. Ao exame físico, apresenta dor à palpação paravertebral em região lombar, sem alterações neurológicas.
Pegadinha central: lombalgia sem red flags não precisa de imagem inicial.
Manter-se ativo melhora recuperação; repouso no leito piora descondicionamento e prolonga incapacidade.
Imagem só vale quando existe suspeita de doença específica ou quando seu resultado mudará a conduta.
Cauda equina, infecção, câncer e fratura são os diagnósticos que você não pode perder na triagem.
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Contexto
O quadro é de lombalgia mecânica inespecífica aguda: três semanas de dor lombar insidiosa, pior ao final do dia, sem irradiação, sem déficit neurológico e sem sinais de alarme. Não há febre, perda ponderal, trauma importante, incontinência, fraqueza ou sintomas que sugiram câncer, infecção, fratura ou síndrome da cauda equina.
Diretrizes como a NICE NG59 recomendam não solicitar imagem rotineiramente em ambiente não especializado para lombalgia sem suspeita de patologia grave. Radiografia e ressonância podem revelar alterações degenerativas incidentais que não explicam a dor e ainda aumentam exames e intervenções desnecessários.
O tratamento inicial combina educação, analgesia simples ou anti-inflamatório quando apropriado, manutenção das atividades habituais conforme tolerância e exercício progressivo. Repouso no leito deve ser evitado, porque atrasa recuperação funcional. Reavaliação em 4 a 6 semanas é apropriada, antes se surgirem sinais de alarme.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Ressonância e encaminhamento imediato para ortopedia não são indicados em lombalgia de três semanas sem déficit neurológico ou sinais de doença estrutural grave.
B) Incorreta. Radiografia simples não é necessária de rotina na lombalgia inespecífica e corticoide sistêmico não é tratamento padrão para dor lombar mecânica sem radiculopatia ou doença inflamatória.
C) Incorreta. Repouso prolongado deve ser evitado e antidepressivo tricíclico não é analgesia de primeira linha para lombalgia aguda inespecífica. Esses fármacos podem ter usos selecionados em dores crônicas ou neuropáticas, mas não neste cenário.
D) Correta (gabarito). Educação sobre o caráter geralmente benigno, analgesia, manutenção de atividade física leve e reavaliação são a conduta adequada. Imagem fica reservada para sinais de alarme, persistência relevante ou situação em que o resultado possa modificar a conduta.