Homem de 52 anos, branco, solteiro, comparece à consulta agendada na Unidade Básica de Saúde (UBS) desejando realizar revisão clínica e exames laboratoriais. Desde os 35 anos não faz acompanhamento de saúde. Relata história familiar de diabetes e hipertensão, e a mãe faleceu com câncer de pulmão. Sem história familiar de câncer de próstata. Fuma cerca de 2 maços por dia há 21 anos. Exame físico: pressão arterial de 120 x 80 mmHg, índice de massa corporal de 23 kg/m2, sem outras alterações.
Pegadinha central: check-up não significa pedir uma bateria inespecífica de exames; rastreamento deve ter benefício demonstrado.
Desde 2026, o SUS adotou o teste imunoquímico fecal como referência de rastreamento colorretal para assintomáticos de 50 a 75 anos.
PSA e toque retal não são rastreamento populacional automático de próstata no Ministério da Saúde.
Radiografia de tórax não rastreia câncer de pulmão; quando se indica rastreamento pulmonar em protocolos específicos, utiliza-se tomografia de baixa dose.
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Contexto
Rastreamento em adulto assintomático deve ser seletivo: procura-se doença antes dos sintomas apenas quando existe evidência de benefício e um fluxo claro para confirmação e tratamento. Este homem tem 52 anos, histórico familiar de diabetes e hipertensão e tabagismo intenso, cerca de 42 maços-ano. Portanto, já está em faixa etária para avaliação cardiometabólica e câncer colorretal e necessita abordagem ativa do tabagismo.
Em 2026, o Ministério da Saúde incorporou ao SUS o teste imunoquímico fecal para rastreamento de câncer colorretal em pessoas assintomáticas de 50 a 75 anos, com realização bienal. Assim, uma pesquisa de sangue oculto nas fezes é pertinente neste paciente. Para próstata, o Ministério da Saúde mantém recomendação de não realizar rastreamento populacional automático com PSA e toque retal; eventual investigação deve ser individualizada e discutida com o paciente. Radiografia de tórax também não é exame de rastreamento para câncer de pulmão. Em protocolos internacionais que adotam rastreamento pulmonar, o método é tomografia de baixa dose em grupos de alto risco, não radiografia simples.
A cessação do tabagismo é intervenção de enorme impacto prognóstico. O cuidado no SUS pode incluir aconselhamento estruturado individual ou em grupo e farmacoterapia quando indicada. Não é preciso esperar o surgimento de doença para abordar dependência de nicotina.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Reúne vários exames sem indicação de rastreamento indiscriminado, como hemograma, creatinina e radiografia de tórax. PSA e toque retal não devem ser solicitados automaticamente em homem assintomático. Colonoscopia pode ser método de rastreamento em protocolos específicos, mas não torna correto o restante do pacote.
B) Incorreta. Contém medidas apropriadas, como avaliação metabólica, pesquisa de sangue oculto e apoio para cessar tabagismo, porém inclui PSA e toque retal como rastreamento automático, contrariando a estratégia brasileira de decisão individualizada e não rastreamento populacional de próstata.
C) Incorreta. O paciente não deve apenas aguardar novas faixas etárias. Aos 52 anos já há indicação de avaliação cardiometabólica e rastreamento colorretal, além de oferta de testagens preventivas e intervenção sobre tabagismo.
D) Correta (gabarito). É a alternativa que melhor combina avaliação lipídica e glicêmica, rastreamento colorretal, oferta de testes para infecções relevantes e abordagem de cessação do tabagismo, sem impor PSA, toque retal ou radiografia de tórax como rastreamento de rotina.