Mulher de 70 anos, sem comorbidades, é internada devido a quadro de dor, distensão abdominal e vômitos frequentes iniciados há 2 dias. Foi diagnosticada com uma hérnia umbilical encarcerada e submetida a correção cirúrgica e a enterectomia segmentar da porção necrosada. No primeiro dia de pós-operatório, observou-se drenagem de cerca de 2 litros de líquido pela sonda nasogástrica. No segundo dia, o abdome da paciente permaneceu distendido, com ruídos hidroaéreos hipoativos. Notou-se que ela está sem evacuar e com pouca eliminação de flatos.
Sonda nasogástrica com grande débito causa alcalose hipoclorêmica e hipocalemia.
Hipocalemia diminui a contração da musculatura intestinal e prolonga o íleo.
Íleo persistente exige corrigir eletrólitos e excluir obstrução mecânica.
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Contexto
Íleo pós-operatório é redução transitória da motilidade intestinal após cirurgia abdominal, causada por manipulação visceral, resposta inflamatória, anestésicos e opioides. Algum grau é esperado nos primeiros dias, mas distensão persistente, ruídos hipoativos e baixa eliminação de flatos podem ser agravados por distúrbios eletrolíticos.
A drenagem de cerca de dois litros por sonda nasogástrica provoca perda de ácido clorídrico, água, cloro e potássio. A depleção de volume ativa aldosterona e aumenta a eliminação renal de potássio, produzindo hipocalemia, frequentemente associada a alcalose metabólica hipoclorêmica.
Potássio baixo reduz excitabilidade e contração da musculatura lisa intestinal, perpetuando o íleo. A conduta inclui dosar eletrólitos, repor potássio e cloro com monitorização, corrigir volume, reduzir opioides, estimular mobilização e excluir obstrução mecânica ou complicação cirúrgica quando a evolução for atípica.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Perdas gástricas volumosas favorecem hipocalemia, que reduz a motilidade e explica piora do íleo paralítico.
B) Incorreta. Hipercalemia produz principalmente alterações cardíacas e fraqueza muscular. Não é a consequência esperada da aspiração gástrica prolongada.
C) Incorreta. Hipermagnesemia pode causar hiporreflexia e depressão neuromuscular, mas exige contexto como insuficiência renal ou excesso de magnésio, ausente no caso.
D) Incorreta. Hipomagnesemia pode coexistir e dificultar correção do potássio, porém a perda gastrointestinal e o íleo apontam diretamente para hipocalemia como alteração principal.