Atendimento inicial ao politraumatizado (ATLS)

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 17
INEP · 2025

Paciente de 20 anos, sexo masculino, vítima de colisão “automóvel a muro”, sem cinto de segurança, é atendido ainda na cena pelo Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (SAMU). Exame físico: paciente torporoso; saturação de O2 de 60%, em ar ambiente; frequência respiratória de 28 irpm; frequência cardíaca de 112 bpm; pressão arterial de 90 x 50 mmHg. Desvio da traqueia para a direita, turgência de veias jugulares, hipofonese de bulhas cardíacas e diminuição acentuada do murmúrio vesicular à esquerda.

Qual é a conduta adequada no atendimento pré-hospitalar?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O paciente tem choque e insuficiência respiratória após trauma fechado, com murmúrio vesicular muito reduzido à esquerda, desvio da traqueia para a direita, turgência jugular e hipoxemia grave. Essa combinação caracteriza pneumotórax hipertensivo à esquerda. O ar entra no espaço pleural e não consegue sair, a pressão intratorácica sobe progressivamente, colaba o pulmão, desloca o mediastino e reduz o retorno venoso ao coração, produzindo choque obstrutivo.

O diagnóstico do pneumotórax hipertensivo é clínico. Em paciente instável não se aguarda radiografia, ultrassom ou tomografia antes de descomprimir. A conduta pré-hospitalar é descompressão torácica imediata conforme o protocolo e a capacitação da equipe, classicamente por toracocentese com agulha. Protocolos contemporâneos frequentemente utilizam cateter longo no 4º ou 5º espaço intercostal, próximo à linha axilar anterior, por maior chance de alcançar a cavidade pleural; depois da estabilização, é necessária drenagem torácica definitiva.

A hipofonese de bulhas, a turgência jugular e a hipotensão lembram a tríade de Beck do tamponamento. A banca explora justamente essa armadilha. O que desempata é a assimetria respiratória intensa com desvio traqueal, que o tamponamento não explica.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Reposição volêmica pode ser necessária na ressuscitação do traumatizado hipotenso, mas não remove a pressão intrapleural e não corrige o choque obstrutivo. Se a descompressão for atrasada, volume isolado não resolve a causa.

B) Incorreta. Cricotireoidostomia é acesso cirúrgico de emergência à via aérea quando não é possível oxigenar ou intubar por via convencional. Aqui o problema principal está no tórax, com ventilação unilateral comprometida por pneumotórax hipertensivo.

C) Incorreta. Pericardiocentese é medida de resgate em tamponamento cardíaco. Apesar da turgência jugular, hipotensão e bulhas hipofonéticas, a diminuição acentuada do murmúrio vesicular à esquerda e o desvio traqueal para a direita apontam para pneumotórax hipertensivo.

D) Correta (gabarito). A toracocentese descompressiva trata imediatamente a fisiologia de tensão, melhora a ventilação e restaura o retorno venoso. É uma intervenção que deve preceder exames de imagem no paciente instável.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: tríade de Beck pode confundir, mas murmúrio abolido unilateral mais desvio traqueal aponta para pneumotórax hipertensivo.

  • Pneumotórax hipertensivo é diagnóstico clínico e não espera imagem.

  • Descompressão por agulha é medida imediata; drenagem torácica é o tratamento definitivo subsequente.

  • No trauma, choque obstrutivo por tensão não melhora de forma definitiva com volume sem corrigir a causa mecânica.

Estudar tudo por igual é o que faz o seu tempo não render.

A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.

O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.

Criar conta grátis
Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Atendimento inicial ao politraumatizado (ATLS)” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
Treinar este tema →