Menina de 7 anos e 6 meses é encaminhada ao ambulatório de pediatria porque sua família percebeu surgimento de broto mamário há cerca de 3 meses. O exame físico revela que seu estadiamento puberal é M2P1 e sua estatura está próxima ao escore Z +2 para a idade, com peso em escore Z 0. Um exame de radiografia simples de punho, solicitado pelo médico da atenção primária, mostra idade óssea compatível com 9 anos e 6 meses.
Telarca antes dos 8 anos só é “isolada” quando não progride, não acelera o crescimento e não avança a idade óssea.
Idade óssea cerca de dois anos à frente da cronológica reforça puberdade progressiva.
Pelos pubianos avaliam adrenarca; telarca e crescimento acelerado avaliam ação estrogênica do eixo central.
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Contexto
Puberdade precoce em meninas é o aparecimento de caracteres sexuais secundários antes dos 8 anos. A paciente tem 7 anos e 6 meses e já apresenta telarca M2. O dado que diferencia uma telarca isolada de uma puberdade central progressiva é a repercussão sistêmica do estrogênio: aceleração do crescimento e avanço da maturação esquelética. Aqui, a estatura próxima de Z +2 e a idade óssea de 9 anos e 6 meses, dois anos adiantada em relação à idade cronológica, apontam para ativação do eixo hipotálamo-hipófise-gônadas.
Na puberdade precoce central, a sequência costuma reproduzir a puberdade fisiológica: telarca, aceleração da velocidade de crescimento, avanço da idade óssea e, posteriormente, menarca. A confirmação é feita com avaliação da progressão clínica, LH basal por método ultrassensível e, quando necessário, teste de estímulo com GnRH ou análogo, além de ultrassonografia pélvica. A Sociedade Brasileira de Pediatria destaca que a telarca isolada não deve cursar com progressão puberal, aceleração de crescimento ou avanço relevante da idade óssea.
O estágio P1 significa ausência de pelos pubianos. Pubarca depende principalmente de androgênios adrenais e não é obrigatória para o diagnóstico de puberdade precoce central.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Telarca antes dos 8 anos associada a crescimento acelerado e idade óssea dois anos avançada sugere puberdade precoce central progressiva, não uma variante isolada.
B) Incorreta. Uma diferença de dois anos entre idade óssea e cronológica é clinicamente relevante neste contexto. Na telarca isolada, a idade óssea tende a acompanhar a cronológica e a velocidade de crescimento permanece pré-puberal.
C) Incorreta. O crescimento mamário não é realmente um achado isolado, porque já há repercussão sobre estatura e maturação óssea. O erro da alternativa é ignorar esses dois marcadores de exposição estrogênica.
D) Incorreta. P1 indica ausência de pubarca. Mesmo que houvesse pelos pubianos, a pubarca isolada poderia refletir adrenarca e não provar ativação central. O argumento que sustenta o diagnóstico é o avanço ósseo com aceleração do crescimento.